FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Tatá Werneck interpreta personagem que sofre com TOC

Em sua primeira protagonista, atriz é o destaque da montagem 'Transtornada, Obsessiva, Compulsiva'

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2017 | 05h00

RIO - Depois de levar 4 milhões de pessoas aos cinemas com a comédia 'Loucas pra Casar' (2015), em que dividiu a cena com Ingrid Guimarães e Suzana Pires, Tatá Werneck vive sua primeira protagonista num “drama com momentos engraçados”, como define TOC – Transtornada, Obsessiva, Compulsiva, que tem previsão de estreia em 2 de fevereiro.

No filme, escrito e dirigido por Teodoro Poppovic (com quem Tatá havia trabalhado no finado Comédia MTV, seu primeiro sucesso na TV) e Paulinho Caruso, ela é Kika K., uma comediante que estrela novelas e campanhas publicitárias, tem milhões de seguidores e... se sente incompleta e infeliz. Quase a própria Tatá. 

“É uma história que eu queria contar, que diz respeito a mim, a essa situação de você estar mal e ainda assim ter que colocar uma peruca e fazer alguém rir. Eu tenho que estar sempre bem-humorada, disponível, em cima de um lustre”, contou Tatá ontem, 25, após a exibição do filme para jornalistas. 

“Uma vez, estava tomando soro, com a agulha na veia e a moça quis tirar foto minha. Meu avô morreu e tive que gravar o Tudo pela Audiência (programa que divide no Multishow com Fábio Porchat). Minha mãe estava doente e fui filmar o TOC.”

A atriz contou que tinha cinco roteiros de blockbusters nas mãos quando optou por TOC. “Não seria coerente se não fizesse. Foi uma decisão difícil. Quis o TOC mesmo sabendo que não necessariamente vai ser popular, de fácil digestão”, disse. Entre os projetos preteridos, estava É Fada, que ficou com a youtuber Kéfera Buchmann. 

TOC é empreitada de Tatá, Poppovic, Caruso e da produtora Biônica Filmes. Kika K. foi escrita para ela, e as quatro semanas e meia de filmagens se encaixaram em sua agenda atribulada, que desde 2013 inclui novelas na TV Globo.

Tatá se controlou para não salpicar piadas em cenas em que elas não caberiam. “Vejo o filme muito mais como um drama engraçado do que uma comédia. O brasileiro vai para o cinema querendo passar mal de rir, mas não sei se é o caso. Eu poderia, por vaidade minha, fazer piada aqui e ali, até porque a gente se prostitui um pouco para fazer graça, mas preferi não fazer. Não é para ser ‘o filme da Tatá’, como é ‘o filme do Paulo’”, ela explicou, referindo-se a Paulo Gustavo – “o cara mais engraçado do Brasil” – e a Minha Mãe É Uma Peça 2, a comédia do momento, com mais de 7 milhões de expectadores em um mês de exibição.

O pano de fundo de TOC são as manias excessivas de Kika K. – ela não pisa em azulejos pretos nem em pisos com listras e volta e meia entra em pânico por achar que deixou o gás de casa aberto. O Transtorno Obsessivo Compulsivo controla os dias de Kika, divididos com a empresária autoritária Carol (Vera Holtz) e o namorado (Bruno Gagliasso), galã frívolo e viciado em sexo. Até que ela conhece o fracassado Vladimir (Daniel Furlan), e ele passa a acompanhá-la em sua busca pela felicidade. Um fã desvairado e perseguidor (Luis Lobianco) é uma pedra no caminho. 

“Não é um filme biográfico, mas ressoa na vida da Tatá. São dores reais. Tiramos humor do drama”, definiu Poppovic, que precisou ser um “gandula da dramaturgia” para aparar as improvisações de Tatá – uma cena de poucos segundos com Ingrid Guimarães, que faz participação especial como ela mesma, foi inteira um improviso, e chegou a se estender por uma hora. 

A ideia inicial era fazer um filme sobre TOC. Mas o problema, que acometeu Tatá no passado e foi tratado com terapia, tornou-se ponto de partida para se falar da felicidade como processo, e não destino. “Tratar desse tema e ser melhor do que Jack Nicholson (em ‘Melhor É Impossível’, filme de 1997) não dá”, lembrou Caruso.

“Queria que fosse com um ator que eu já conhecesse, como o Gregório (Duvivier) ou o Eduardo Sterblitch, mas vi um vídeo do Danei (Furlan) e falei ‘quero ele!’. Seja para um programa de TV ou um risoto, agora quero ele sempre comigo”, brincou Tatá, que levou Furlan para seu novo programa no Multishow, um talk-show. 

No canal, ela deve fazer também uma nova temporada de Tudo pela Audiência. Neste primeiro semestre, Tatá filma com Cauã Reymond e volta a contracenar com Ingrid no cinema; no segundo, dedica-se a um projeto ainda não revelado na TV Globo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.