Takeshi Kitano exibe em Veneza seu olhar sobre o mundo da arte

O diretor cult japonês Takeshi Kitanolança seu olhar peculiar sobre o "cruel" mundo da arte e doscolecionadores de arte em seu filme mais recente, que faz suaestréia no Festival de Cinema de Veneza na quinta-feira. "Achilles and the Tortoise" encara as questões fundamentaisde o que é de fato a arte e se ela possui algum valor além dosignificado que tem para seu criador. O filme zomba do mercado de arte ao mostrar um marchandinescrupuloso que vende o trabalho de uma criança como sendo deum mestre, além de um dono de galeria discursando sobre osméritos de obras diversas. A comédia é um dos três filmes japoneses entre os 21 queintegram a mostra competitiva em Veneza. Ela acompanha a vidade Machisu, desde sua infância, como menino absorto em suapintura, até sua juventude, quando faz experimentos ousados comtécnicas novas, até a meia idade, fase em que é representadopelo próprio Kitano. A devoção de Machisu à arte tem consequências cômicas etrágicas. Ele se desilude quando tenta copiar os estilos de artistaspassados, mas, ao buscar criar algo realmente original, eleultrapassa as fronteiras do mau gosto e flerta com o desastre. Machisu também acaba afastando as pessoas que o cercam, coma exceção de sua sofrida mulher (Kanako Higuchi), a únicapersonagem que compreende sua obsessão. O que ele diz sobre a arte pode também se aplicar aocinema. Ele admite que não é o que muitos considerariam umdiretor comercialmente bem-sucedido. Mas Kitano é muito bem cotado no circuito dos festivais decinema. Em 1997, ele recebeu o prêmio máximo de Veneza, o Leãode Ouro, por "Hana-Bi -- Fogos de Artifício". "Achilles and the Tortoise" (Aquiles e a tartaruga), cujotítulo vem do paradoxo grego do movimento, é o último filme datrilogia de Kitano sobre entretenimento e arte, que começou em2005 com "Takeshis" e seguiu em 2007 com "Glória ao Cineasta". Takeshi Kitano ficou conhecido internacionalmente como atorem "Furyo -- Em Nome da Honra" (1983), de Nagisa Oshima, e éconhecido no Japão sobretudo por seus papéis na televisão, peloduo cômico The Two Beats e por seu humor irreverente. O segundo filme da competição oficial de Veneza também farásua estréia na quinta-feira: "Jerichow", um estudo do cineastaalemão Christian Petzold sobre alienação, migração e anecessidade das pessoas de segurança material.

MIKE COLLETT-WHITE, REUTERS

08 de agosto de 2028 | 13h32

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