"Tainá" já é uma das maiores bilheterias

O cardápio cinematográfico para a criançada, neste período de férias, ganha reforço com três filmes brasileiros: além de Os Xeretas, de Michael Ruman, estréia hoje Tainá - Uma Aventura na Amazônia, da dupla Tânia Lamarca e Sérgio Bloch, e, no dia 20 de julho, O Grilo Feliz, desenho animado de Walbercy Ribas. As produções nacionais disputam a atenção infantil com os tradicionais desenhos da Disney, com o badalado Shrek, animação da produtora de Spielberg, e com Atlantis, outra estréia de hoje. Os desenhos de Ribas ficaram na memória de quem foi criança ou adolescente nos anos 70, por causa de um hilário comercial de inseticida. Uma barata, combalida com o efeito devastador do produto, lamentava: "Rodox, não, Rodox é covardia!" A produção brasileira que chega com mais força nesta temporada é Tainá - Uma Aventura na Amazônia. A estratégia de lançamento do filme dá-se em três etapas. Primeiro, ele foi lançado no Rio (capital e interior) com 36 cópias. Depois, na Semana Santa, chegou a quatro capitais nordestinas (Salvador, Aracaju, Maceió e Natal) e ao Norte (Pará e Amazonas), Estados que lhe serviram de locação. Agora, chega a São Paulo (capital e interior), o maior mercado do País; a outras cidades nordestinas (Recife, Fortaleza, São Luís) e ao Sul (Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba). O distribuidor Marco Aurélio Marcondes comemora: "Conseguimos média de 909 espectadores por cópia, o que é um bom índice. E já estamos em 18.º lugar na lista de maiores bilheterias do cinema brasileiro na fase da Retomada (1995-2001)." Realista, ele sabe que não é fácil lançar filme infantil brasileiro, caso não disponha, para respaldá-lo, de sucesso televisivo ou editorial. "Quando estréia um filme dos Trapalhões ou da Xuxa, todo mundo sabe do que se trata. O mesmo aconteceu com Castelo Rá-Tim-Bum, que veio precedido da série de mesmo nome (da TV Cultura), e com O Menino Maluquinho, escorado em 1 milhão de exemplares do livro e de histórias em quadrinho de Ziraldo." Já Tainá brotou da imaginação de seus autores e do produtor Pedro Rovai. Não tinha lastro na TV, nem no teatro, nem no mercado editorial. Ao vê-lo pronto, Marcondes, que já lançou 500 filmes brasileiros e estrangeiros, pressentiu ter um bom produto nas mãos. Mas isso não bastava. "Nos meus tempos de Embrafilme, vi filmes maravilhosos como Cavalinho Azul, de Eduardo Escorel, e A Dança dos Bonecos, de Helvécio Ratton, terem menos público do que mereciam. E só porque não estavam respaldados em marca televisiva ou editorial de grande apelo." Para evitar que Tainá tivesse o mesmo destino de Cavalinho Azul e A Dança dos Bonecos, Marco Aurélio montou estratégia de lançamento diferenciada. Primeiro, levou Tainá aos festivais e o promoveu em sessões patrocinadas por Secretarias de Educação e Cultura de vários Estados brasileiros. No Festival de Gramado, o filme foi aplaudido por 2 mil crianças. Depois, venceu - pelo crivo do júri popular - o Festival de Cinema do Rio. Foi ao Festivalzinho de Brasília e suas sessões mobilizaram 20 mil estudantes do Plano Piloto e cidades-satélites. Mas a prova de fogo Tainá enfrentará agora. O mercado mais disputado do País é o de São Paulo. Na primeira etapa - Rio, parte do Nordeste e Norte -, o filme vendeu 345 mil ingressos. Se emplacar ´de São Paulo para baixo", o filme poderá chegar a 1 milhão de espectadores. Este é sonho de Marco Aurélio. Otimista por natureza, ele lembra que Dona Flor e Seus Dois Maridos, a maior bilheteria do cinema brasileiro, foi lançado em três etapas: primeiro na Bahia, terra de Jorge Amado. Depois no Rio. Por último, em São Paulo. Resultado: fez quase 12 milhões de espectadores. Os tempos eram outros e o filme de Bruno Barreto tinha Sônia Braga, no auge de sua beleza e sensualidade, como chamariz. O trunfo de Tainá é a atriz mirim Eunice Baía, nascida no interior do Pará e selecionada entre centenas de crianças. Ela foi preparada por Fátima Toledo, treinadora do elenco infantil de Pixote, de Hector Babenco, e deu-se muito bem com seu partner, o menino (cor de ferrugem) Caio Romei. As duas crianças são carismáticas e dão conta do recado ao interpretar a indiazinha e o filho mimado de uma bióloga que realiza pesquisas na selva amazônica. Num primeiro momento, o filme antagoniza Tainá e o menino Joninho (Caio Romei). Ao perder o avô Tigê (Ruy Pollanah), a indiazinha órfã é adotada por um piloto de hidroavião (Jairo Mattos) e conduzida para viver na companhia da bióloga Isabel (Branca Camargo) e de seu filho Joninho. O menino não quer saber da indiazinha, nem das pesquisas da mãe, nem da floresta. Quer jogar videogame e comer hambúrguer na cidade grande, de onde veio. Enquanto os dois brigam, Shoba (Alexandre Zachia), traficante de animais, busca espécimes na selva para vender. Os vilões são muitos. Entre eles estão os hilários e caricatos Smith (Luiz Carlos Tourinho) e Meg (Beth Erthall). No fim, tudo dá certo. Tainá e Joninho tornam-se grandes amigos e vivem bela aventura na selva e nas águas amazônicas (com o hidroavião). O filme, recomendado para crianças de 5 a 12 anos, arranca aplausos numa cena de ação. Joninho consegue fugir, em companhia de Tainá, do cerco dos bandidos, pilotando hidroavião de verdade, como se estivesse manipulando os controles de um videogame. E, de quebra, troca olhares com a garota, insinuando que dali pode brotar um namoro. No Festival de Gramado, garotas entusiasmadas gritaram "poderoso!" O filme é ecológica e politicamente correto. Em nenhum momento esconde sua intenção de defender a preservação da Amazônia.

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