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Tag Gallagher acredita que este é o melhor tempo para o cinéfilo

Estudioso do cinema está em BH ministrando oficinas na 8ª Mostra CineBH

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 11h42

Tag Gallagher ministra nesta segunda-feira, 20, a última de suas três master classes na 8.ª Mostra CineBH. Na verdade, as master classes têm sido encontros em que ele projeta seus vídeo-ensaios, consagrados aos autores - e filmes - que o evento lhe deu carta branca para escolher. Assim, Gallagher apresentou (e debateu) Viagem na Itália, de Roberto Rossellini, na sexta; Sangue de Heróis/Fort Apache, de John Ford, no sábado; e Carta de Uma Desconhecida, de Max Ophuls, nesta segunda. Ao repórter do Estado, que lhe perguntava sua preferência por autores do passado, respondeu - "Não é que eu não me interesse por coisas atuais. Para a imensa maioria do público, ver um filme antigo é como ler um jornal velho. As pessoas querem o novo, e não apenas o filme novo. Querem o livro novo, o disco novo. Elas entretêm uma ligação erótica à maneira como se olha e age atualmente. Não são muitos filmes que vejo hoje e tenho vontade de rever, e rever de novo. Ver 50 vezes, 100 vezes. É sobre esses que me interessa escrever. Não creio que alguém possa escrever significativamente sobre um filme que não ame."

Autor de dois livros seminais - The Adventures of Roberto Rossellini e John Ford: His Life and Films -, Gallagher faz complexas análises em que a vida do artista muitas vezes, senão sempre, ilumina sua arte. Rossellini já era um autor neorrealista, na linha de frente do movimento que transformou o cinema italiano no pós-guerra, mas foi a morte prematura de seu filho Romano que produziu nele um choque. Rossellini nunca acreditou que houvesse uma técnica para capturar a verdade. Só uma postura moral poderia fazê-lo. Em seu cinema, tudo vira movimento. E, após a morte de Romano, vira solidão, transcendência, uma busca da graça.

Se Rossellini fez filmes que se ligam à sua vida, John Ford cultivava o mistério. Sua vida e personalidade, observa Gallagher, permanecem impenetráveis. Seria um tirano, autoritário. Machista, militarista. 'Blah, blah, blah', Gallagher desdenha. Ford pertence a uma linhagem de grandes artistas que busca no cinema a expressão sentida pela forma estética. Uma vivacidade da emoção. E ele cita a cena de Depois do Vendaval em que John Wayne cata uma florzinha do campo e a entrega a Maureen O'Hara, que, sem nada dizer, a aproxima de seu coração. Tudo está expresso sem necessidade de palavras.

Gallagher encontrou nos vídeo-ensaios uma formas muito pessoal - e especial - de fazer suas críticas. Você os encontra na internet, sobre Rossellini, sobre Ford. Gallagher reconhece que o mundo todo, e a cinefilia inclusive, está passando por uma mutação. "Na maior parte da minha vida, só havia dois ou três lugares para se escrever seriamente sobre os filmes. Agora todos podem escrever o que querem, como querem e usar ampliação de fotogramas coloridos , tudo perfeitamente acessível e encontrável, uma teoria para a eternidade. Hoje em dia também se podem baixar inúmeros filmes que, até poucos anos, eram praticamente impossíveis de ver." E ele arremata - "Vivemos o melhor tempo de sempre para o cinéfilo!"

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