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'Tá Chovendo Hambúrguer 2', da cozinha para o computador

Animação é visualmente impactante, mas história deixa a desejar

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2013 | 20h30

Estava a gangue toda – os diretores Cody Cameron e Kris Pearn, os produtores executivos Phil Lord e Chris Miller. Esses dirigiram o primeiro Tá Chovendo Hambúrguer, que ganha uma sequência, e o 2 reúne um artista visual da Sony (Cody), e outro que veio da Pixar (Kris). O quarteto ocupou a mesa durante a apresentação de Tá Chovendo Hambúrguer 2 no evento Sony of Summer, em que a empresa mostrou sua produção para jornalistas de todo o mundo no México. Como o filme não estava pronto, foram exibidas cenas para animar o diálogo com a imprensa.

Mais até do que o primeiro, Tá Chovendo Hambúrguer 2  é um deslumbrante e imaginativo espetáculo audiovisual, mas o mesmo você não poderá dizer da história. As crianças têm o tempo, a percepção delas, e poderão descobrir um encanto da produção que talvez escape aos adultos. Pode ser uma questão de ritmo, de narração. Tá Chovendo 2 enche os olhos, mas nunca fica emocionante de verdade.

Você se lembra do 1 – Flint sonha ser inventor e cria uma máquina de fazer comida. No começo, tudo é festa, mas a máquina escapa ao controle, produz muito mais do que as pessoas conseguem consumir e sobrevém uma tempestade de proporções catastróficas. A intenção crítica era evidente. Há um consumismo desenfreado que pode nos levar ao colapso, os ambientalistas não cessam de advertir.

Cody Cameron deixou claro que o conceito já estava definido, e avalizado pelo público e pelo estúdio, a Sony Animation. O que fazer no 2? Como inovar? “O digital é uma ferramenta inesgotável para a animação. James Cameron já disse que, com o digital, a imaginação é o limite.” Cameron e Pearn contam que se divertiram muito com o desafio imposto pelo visual de Tá Chovendo 2. Na nova história, após a tempestade alarmante do primeiro filme, Flint e os amigos são forçados a deixar sua ilha. Ele vai trabalhar com seu ídolo, Chester V, que é o vilão da história. Chester quer se apossar da máquina de Flint, que continua na ilha produzindo não propriamente comida, mas vegetais e frutos que compõem uma fauna e flora extravagante. Canibal?

“Fizemos nosso parque dos dinossauros. No outro, os modelos eram dinossauros de verdade. No nosso, éramos livres para criar”, disse Cameron. “Em casa, achavam que estava louco”, acrescenta Pearn (e ele tem mesmo cara de cientista maluco de filmes). “Pegava frutas e hortaliças e ficava colocando pernas, braços, olhos, imaginando como poderiam ser transformados em bichos exóticos.” Da cozinha para os computadores. Visualmente, é impactante.  O restante, cabe ao público descobrir.

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