Paris Filmes
Paris Filmes

'Synomymes' e 'Entre Facas e Segredos' estão entre as estreias comentadas pelo 'Estado'

Veja o trailer a opinião do crítico de cinema do Caderno 2 sobre os filmes que chegam às telonas esta semana

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2019 | 10h00


Mais nove estreias, entre elas o grande vitorioso do Festival de Berlim, deste ano, em fevereiro. Synomymes, do israelense Navad Lapid, celebra um cinema do corpo, contando a história de um ex-soldado que foge de Israel para salvar a alma. Veja para saber por quê, e impressione-se com a movimentação do ator Tom Mercier e da mise-en-scène. Em temporada de premiações, Entre Facas e Segredos chega às salas com o aval das indicações de Daniel Craig e Ana de Armas para o Globo de Ouro. E tem um grande filme brasileiro - A Rosa Azul de Novalis, de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, com cenas de (homos)sexo ousadas e provocativas. Nada que seja gratuito, e o filme levanta questões estéticas e até filosóficas das mais intensas. Não por acaso, recebeu o prêmio especial do júri de cinema da APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte.

 

Barrabás

Direção de Evgeniy Emelin, com Pavel Krainov, Regina Khakimova, Zalim Miroev, Elena Podkaminskaya.

 


A vida e a Paixão de Cristo vistas numa produção russa, pelo ângulo do criminoso que foi preferido pelo povo. Conta a tradição bíblica que Pôncio Pilatos, valendo-se de uma tradição da Páscoa judaica, permitiu que a multidão escolhesse entre um criminoso comum, Barrabás, e o Nazareno. Jesus foi crucificado e Barrabás, no deslumbrante épico de Richard Fleischer, de 1961, iniciava uma jornada que o levava à conscientização - e à elevação espiritual. O Barrabás de Fleischer era um grande filme que terminou um tanto eclipsado por épicos religiosos mais populares, mas não melhores, que Hollywood produzia na época. Pavel Krainov é quem faz o papel. Pode até ser muito bom, mas vai ser difícil superar Anthony Quinn.

 

Brincando com Fogo

Direção de Andy Fickman, com John Cena, Brianna Hildebrand, Judy Greer, Keegan-Michael Key.

 


Bombeiros salvam três crianças num incêndio e, ao não encontrar os pais do trio, têm de assumir a função de... babás! Começa como disaster movie e termina como comédia familiar - romântica?

 

Crime sem Saída

Direção de Brian Kirk, com Chadwick Boseman, Taylor Kitsch, Sienna Miller, Stephan James.

 


Chadwick Boseman despe o uniforme do Pantera Negra e assume o distintivo de detetive da polícia de Nova York. Após pisar na bola, ele tem a chance de se redimir caçando assassino de policiais. O problema, e põe problema nisso, é que ele descobre uma conspiração, envolvendo integrantes da própria polícia no que parecem queimas de arquivo. O bom elenco ajuda.

 

Entre Facas e Segredos

Direção de Rian Johnson, com Chris Evans, Ana de Armas, Daniel Craig, Katherine Langford, Christopher Plummer.

 


Por menos original que seja a trama, o filme ganhou elogios unânimes e cravou indicações para o Globo de Ouro, incluindo para Ana de Armas e Daniel Craig. O 007 dá um tempo na espionagem e investiga assassinato de famoso escritor de livros policiais. A família toda parece estar implicada, e o crime foi concebido como uma das tramas do falecido. O diretor Johnson, vale lembrar, é o mesmo de Star Wars Episódio VII - Os ÚLtimos Jedi.

 

Finalmente Livres

Direção de Pierre Salvadori, com Adèle Haenel, Pio Marmaï, Audrey Tautou, Vincent Elbaz.

 


Salvadori tem a seu crédito comédias ótimas - Amar não Tem Preço, Uma Doce Mentira, Em Um Pátio de Paris, etc - e aqui conta uma história que promete. Adèle faz policial que descobre que o ex-marido inspetor não era o homem correto que ela pensava. Procurando reparar seus erros, ela se envolve com Pio Marmaï, de Beijei Uma Garota, no papel nde um ex-presidiário injustamente condenado. Para descobrir o que Audrey Tautou, a Amélie Poulain, faz nessa história você terá de ver o filme.

 

A Gata Cinderela

Direção de Alessandro Rak, Ivan Cappiello, Marino Guarnieri e Dario Sansone, com as vozes de Massimiliano Galli, Maria Pia Calzone, Alessandro Gassman, Renato Carpentieri.

 


Animação italiana que retoma a história de Cinderela num viés moderno, e crítico. A trama envolve corrupção no porto de Nápoles e a heroína tem um meio-irmão gay. Conseguirá o príncipe resgatar a legalidade portuária? E onde entra nisso a Gata Borralheira? A madrasta manda no porto, é isso.

 

Uma Mulher Alta

Direção de Kantemir Balagov, com Viktoria Miroshnchenko, Vasilisa Perelygina, Igor Shirokov, Konstantin Balakirev.

 


Vencedor do prêmio de direção na mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes deste ano - a mesma em que a Vida Invisível, de Kareim Aïnouz, venceu como melhor filme -, o longa russo reconstitui o cerco de Leningrado, durante a 2.ª Grande Guerra, do ângulo de duas jovens mulheres. Conseguirão sobreviver ao horror? Muitos elogios.

 

A Rosa Azul de Novalis

Direção de Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro.

 


Documentário nas bordas da ficção, ficção documental? O codiretor Vinagre fez antes Lembro Mais dos Corvos, com a trans Julia Katharine, que já era muito bom e agora, em dupla, aprofunda questões viscerais de identidade e gênero. Um dândi soropositivo. Marcelo consegue se lembrar de suas vidas passadas, e tem certeza de que em outra encarnação foi o poeta romântico alemão Novalis, criador do mito ou conceito da rosa azul. O filme passou em Berlim, em fevereiro, e no Mix Brasil. Talvez seja o melhor filme brasileiro - no ano de Bacurau! -, mas tem cenas que talvez sejam muito fortes para um público conservador. Sexo oral, anal. Não se impressione, trata-se de uma reflexão das mais belas e profundas sobre arte e vida, no cinema brasileiro e mundial em 2019.

 

Synonymes

Direção de Nadav Lapid, com Tom Mercier,  Quentin Dolmaire, Louise Chevillotte.

 


Vencedor do Urso de Ouro em Berlim, em fevereiro, o longa autobiográfico do israelense Lapid conta a história de um ex-soldado que foge de Israel - e da violência e do machismo do Exército - “para salvar sua alma”, como disse o diretor em entrevista ao Estado. Aconteceu com ele (Lapid) e, em Paris, o cineasta tentou radicalizar o rompimento, desvencilhando-se de sua língua de origem (e aprendendo francês). É aí que entra o dicionário do qual se torna inseparável, e que fornece o título, Sinônimos. Cenas de sexo, nudez, mas, de novo, não se deixe impressionar. Tudo isso é necessário, e a questão central é, de novo, a identidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.