Susan Sarandon solta o verbo em Locarno

Bonita, inteligente de respostas na ponta da língua, Susan Sarandon não tem medo de sofrer represálias nas sua carreira por não compactuar com o mundo do pensamento único ou com a aventura guerreira de Bush. Na segunda-feira, a atriz foi premiada no Festival de Cinema de Locarno, com o troféu Leopardo de Ouro. Susan não tinha nenhum filme em exibição, mas a sala cheia onde deu a entrevista para os jornalistas mostrou sua popularidade e admiração dos europeus por essa americana diferente, que aproveitou para alfinetar a Associated Press, acusada de deturpar ou ignorar o que diz nos encontros com jornalistas.Sua entrevista, da qual selecionamos alguns trechos, tem sabor e mostra que, nos EUA, nem tudo está ainda padronizado. E Wim Wenders não é o único a não gostar de Bush.Qual a diferença entre fazer teatro e cinema? Susan Sarandon - A mesma entre fazer amor e se masturbar.Qual o critério exigido para se fazer política nos EUA? Pelo jeito, para se fazer política nos EUA é preciso ser mau ator. E estou pouco ligando para o que a Associated Press irá dar aos jornais, sobre o que falei aqui em Locarno. Não é nada engraçado ter um Bush como presidente dos Estados Unidos. Trata-se de um palhaço. É o pior presidente que já tivemos.O que é preciso para um ator ter sucesso ? Não é preciso matar sua consciência e sua auto-estima para ter sucesso. Nos EUA, dizem ser preciso ter um plano de carreira para chegar ao sucesso. Para mim, tanto faz ter um papel secundário, se ele é interessante. Como explica sua participação no movimento de artistas contra a prisão de Guantánamo? Existe um clima de medo profundo nos EUA, inclusive me envolvendo. Meu nome foi colocado junto com o de Bin Laden, em alguns jornais americanos, porque coloquei em questão a guerra contra o Iraque. Isso tem tornado difícil para mim o exercício de minha profissão. Existe, sim, um movimento para se fazer pressão a fim de se fechar Guantánamo. Mas vejo isso também de outro ângulo. Quando as pessoas têm medo, estão sempre prontas a ceder sua liberdade. É por isso que são tão numerosos os americanos a deixarem seu futuro nas mãos de um Rumsfeld.

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