Superprodução retrata baile da Ilha Fiscal

Uma conspiração para matar d. Pedro II empleno baile da Ilha Fiscal (o último do Império, seis dias antesda Proclamação da República) junta beldades do elenco de novelasda Rede Globo e os atores de Hollywood Andy Garcia e JeffBridges. Não se trata de devaneio, mas do filme AConspiração, que o diretor Alberto Magno e o produtor RobertoMendes pretendem rodar no segundo semestre de 2002. O filme, comorçamento nacional de R$ 7,9 milhões, está em fase de captação,mas os planos de Magno, filho de Jece Valadão e sobrinho deNelson Rodrigues, com um vasto currículo em documentário epublicidade, são ambiciosos."Estamos negociando co-produção com uma major americana para subir o orçamento para US$ 12 milhões (cerca de R$ 30milhões)", adiantou. "Eles entram basicamente com a computaçãográfica para reconstituir o Rio do fim do século 19 e de 1929,épocas em que se passa a história, e com as despesas delançamento", adianta Magno, que sonha com o projeto desdemeados dos anos 90. A história se baseia no romance O Baile daDespedida, de Josué Montello. "Ele me contou que, quandopesquisava para escrever, chegou a sonhar com o baile da IlhaFiscal e eu estava lá. Desde então, trabalho nesse projeto,mesmo que esporadicamente; só há um ano pude me dedicarintegralmente."O filme conta a história de Catarina, envolvida numa conspiração republicana para assassinar oimperador no baile da Ilha Fiscal, em homenagem à tripulação deum navio chileno ancorado no Rio. No livro deJosué Montello, d. Pedro II se salva porque Catarina se apaixonapor um oficial chileno, esquece o atentado e perde seu amor. Ofilme os leva a se reencontrarem em 1929, ambos velhos, masainda apaixonados. O ator cubano-americano Andy Garcia jáassinou carta dizendo-se disposto e disponível para ser ooficial chileno. Jeff Bridges será o cartunista Angelo Agostini,que "virou" norte-americano para aproveitar o ator. ParaCatarina estão sendo testadas as atrizes Luana Piovani, MarianaXimenes, Lavínia Vlasak e Alessandra Negrini."A possibilidade da co-produção é concreta, mas o filmese realiza com o orçamento brasileiro de R$ 7,9 milhões", dizMagno. "Os dólares vão nos trazer os atores de Hollywood, mas,principalmente, a reconstituição do Rio antigo por computaçãográfica - poderemos filmar com a lente aberta, dando panorâmicasda cidade. Já pensou mostrar a Baía de Guanabara sem a ponteRio-Niterói?", sugere Roberto Mendes. Sem dólares, a fichatécnica já está recheada de figurões. Affonso Beato, que filmoucom Pedro Almodóvar e agora está com Cacá Diegues em Deus ÉBrasileiro, assina a direção de fotografia; o maestro EdinoKrieger faz a trilha sonora, Carlinhos de Jesus coreografa ascenas do baile e a carnavalesca Rosa Magalhães, da ImperatrizLeopoldinense, cria cenários e figurinos. "Ela tem experiênciaem espetáculos grandiosos e um estilo barroco bem brasileiro.Fez pouco cinema, mas é imbatível em carnaval e artescênicas."A reconstituição do baile está no romance de JosuéMontello, que já teve outras seis versões de sua obra, com maisde uma centena de títulos, levados ao cinema e à televisão. Eleinterfere na adaptação, mas acha que a Ilha Fiscal ainda estácomo na noite de 9 de novembro de 1889. "Está tudo lá, é sóentrar e filmar", diz o escritor. Mas Magno trabalha paraalcançar o público jovem e dar brasilidade à produção. "Nãopoderia fazer um filme de época como Luchino Visconti, porqueele tinha nove séculos de nobreza européia em sua históriapessoal e eu descendo de Nelson Rodrigues e Jece Valadão. Vamosfazer um capa e espada, mas também desvendar a alma nacional",diz Magno. "É uma superprodução com milhares de figurantes emcenas como a do baile, que será reconstituído, e da Proclamaçãoda República." A trilha, por exemplo, terá maxixes, fandangos elundus para ilustrar melhor a época.Apesar de ser uma encenação farsesca, a parte históricado filme não será esquecida. Nesta fase de pré-produção, 18historiadores pesquisam os hábitos, costumes e imagens do Rioimperial e da belle époque, já que a história começa em 1929 e écontada em flashback pelos protagonistas. Tanto Magno quantoMendes querem evitar ao máximo sair do Rio para filmar, emboratenham opção de rodar cenas em Paraty, Ouro Preto (cidades queainda guardam sua face colonial) e Porto, em Portugal. "Seráótimo se pudermos mostrar aos jovens de hoje como se vivia hámais de cem anos", comenta Magno, que está em contato com aempresa americana Digital Domaine, responsável pelos efeitosespeciais do blockbuster Titanic. Mas eles só entram com umaporte de US$ 2 milhões (cerca de R$ 5 milhões) se houvercapital de Hollywood. "Foram eles quem sugeriram Andy Garcia eJeff Bridges, que se animaram com o projeto e já estão dando atésugestões sobre seus personagens."

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