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‘Superpai’ entra na trilha de Fellini e fica distante da comédia rasgada

À sombra de ‘Os Boas Vidas’, filme é um estudo de personagens em que as mulheres são mais fortes que os homens

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 03h00

Pedro Amorim sabe o filme que fez. “Se tivesse feito Superpai com Leandro Hassum, o público provavelmente riria mais, porque é a praia dele. Mas o que me motivou foi a história, não necessariamente, o humor.” A escolha de Danton Mello como protagonista ratifica a escolha. “Posso até fazer humor, mas não me considero comediante. Sou um ator que busca a verdade dos personagens.” E qual é a verdade do superpai? O filme é sobre esse homem que descuida da mulher, do filho, que ganha dinheiro jogando na esquina e que a vida inteira lamenta não ter feito sexo com a garota mais desejada da escola. Com a festa da turma aproximando-se, ele espera – enfim! – matar o desejo. O problema é que a sogra passa mal, a mulher precisa socorrê-la e o herói, como pai, tem de cuidar do filho.

Superpai estreou em 330 salas. No primeiro fim de semana pós-Oscar, as salas de shoppings continuaram lotando para ver os filmes avalizados pela Academia de Hollywood. American Sniper e Whiplash lotaram, Birdman teve mais público que merece. A crítica, que cobriu Superpai de pancada, não ajudou, mas seria absurdo atribuir-lhe as dificuldades do filme no mercado. Superpai não é ruim. Pode estar sendo vendido de forma equivocada. É mais estudo de personagens que comédia. O pai deixa o filho na creche noturna e depois, quando ele some, passa o filme tentando recuperar o menino. Os amigos o acompanham. Um que também acha sua vida uma porcaria, a galinha da escola – que se regenerou – e o negro. A participação de Thogun Teixeira é interessante. “Thogun diz que é a primeira vez que não mata ninguém”, conta o diretor. “O personagem é bem-sucedido, até a opção sexual vai contra a imagem dele.”

Amorim ensaiou com os atores durante um mês em busca da ‘verdade’ de cada personagem. Só quem faz humor, e bem, é Dani Calabresa. Os homens são fracos – frágeis? –, um bando de adultos infantilizados que remete a Os Boas Vidas, de Federico Fellini (“Pensava no filme o tempo todo”, garante Amorim). No final, Danton descobre que viveu uma ilusão, buscando um sonho que não significa nada. E acorda para o que é importante. O roteiro é de dois norte-americanos. “Uma amiga me falou dele, e gostei. Nos EUA, era considerado incorreto e o personagem, mais canalha. Não era o que queria. Me interessam os relacionamentos.” Vale lembrar que Pedro Amorim, irmão de Vicente, dirigiu Mato Sem Cachorro, também híbrido e que foi muito bem de público.

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