Superelenco não sustenta "Queridinhos da América"

Os Queridinhos da América é a grande estréia da semana, nesta sexta-feira, mas é como se não fosse. Traz um grande elenco, liderado por Julia Roberts, Billy Crystal, John Cusack, Catherine Zeta-Jones, Hank Azaria, Christopher Walken e Stanley Tucci. Literalmente, muito barulho por nada. O filme mostra os bastidores de Hollywood e, como sempre acontece quando se tenta isso, o resultado são grandes filmes como O Crepúsculo dos Deuses e Assim Estava Escrito ou desastres completos como uma infinidade que vêm desde o cinema mudo. Os Queridinhos da América está definitivamente no segundo lote. Cantando na Chuva é o inspirador claro de Os Queridinhos... O musical de 1952, contudo, tem leveza, graça e provoca risos. O filme de agora tem a pretensão de ser uma comédia sofisticada e amalucada, mas fica nisso. Comete o pior pecado para o gênero: não consegue ser engraçado. Tem muitas piadas, in-jokes, cenas de pastelão, baixarias várias ao estilo Billy Crystal, mas nada funciona. No centro de tudo, há um casal de super-astros, os "queridinhos da América" do título, Gwen (Catherine Zeta-Jones) e Eddie (John Cusack). Eles acabaram de fazer um filme, mas estão separados, desfazendo o sonho de felicidade e glamour de cada fã dos dois. A separação ameaça o filme de US$ 86 milhões e, para dar tudo certo, o chefão do estúdio contrata o relações-públicas Lee (que demitira há um mês). Este, vivido por Billy Crystal, é o fio condutor da história. Ele faz das tripas coração, ainda mais quando sabe que o diretor cult escolhido (Christopher Walken) limitou-se a entregar os 20 segundos de créditos. Sem filme, ele imagina reunir a imprensa para uma coletiva num hotel isolado, no meio do deserto. Gwen namora um ator latino canastrão e machista, Eddie está em plena crise e mergulha em drogas. No meio dessa confusão toda, aparece a figura de Kiki (Julia Roberts), a irmã e escrava de Gwen. Ela conseguiu emagrecer muitos quilos e está apaixonada por Eddie, com quem sempre se deu bem. Houve muitos boatos de roteiro sendo refeito às pressas, personagens novos introduzidos, mas Os Queridinhos da América não vai conseguir abalar as estruturas de Hollywood. O público correspondeu quando o filme foi lançado nos EUA, contudo apenas no primeiro fim de semana. Depois, aos poucos, foi perdendo o gás. Meio que imitando o que se vê na tela. O começo é intrigante e promissor, o meio enrola e enrola, o final é simplesmente detestável.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2001 | 17h23

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