Sundance termina com vitória brasileira

O Festival de Cinema Independente de Sundance chegou ao fim na noite de sábado com duas surpreendentes vitórias brasileiras. Amores Possíveis, de Sandra Werneck, dividiu o prêmio de melhor filme latino-americano com o mexicano Sin Dejar Huella. O documentário O Estranho Mundo de Zé do Caixão, de André Barcinski e Ivan Finotti, recebeu um prêmio especial do júri.Sandra afirmou que não esperava ganhar. ?Fui pega de surpresa e não tinha nem um discurso pronto.? Ela afirmou que já estava feliz com a boa acolhida do público, que lotou as salas nas três exibições do filme. ?Nas duas últimas sessões, todos os ingressos foram vendidos antecipadamente e depois das exibições, o filme foi aplaudido entusiasticamente.? Segundo ela, o prêmio deve abrir portas para o mercado mundial. ?Já fui procurada por distribuidores daqui e até um do Japão.?O feito de Amores Possíveis é especialmente memorável, pois o favorito brasileiro era Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, que está em plena campanha para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro. Este é o segundo filme de Sandra, que dirigiu antes o elogiado Pequeno Dicionário Amoroso. Já o documentário de Barcinski e Finotti não estava sequer entre os destaques, nem havia despertado o interesse da imprensa.Princesa, uma produção inglesa sobre a vida de travestis brasileiros na Itália, dirigida pelo brasileiro Henrique Goldman, ficou de fora da premiação.O prêmio do público para o melhor filme ficou com Hedwig and the Angry Inch, dirigido e estrelado por John Cameron Mitchell. Trata-se da versão para o cinema de uma peça musical de mesmo nome, um drama sobre a vida de um travesti. Mitchell pode ser considerado o grande vencedor da noite, pois levou também o prêmio de melhor ator. A comunidade gay teve outro representante premiado. Scouts Honor, de Tom Sheppard, venceu o prêmio especial Liberdade de Expressão, com um filme que aborda o homossexualismo entre escoteiros.O melhor filme do júri foi para o filme mais polêmico do festival: The Believer, dirigido por Henry Bean e estrelado por Ryan Gosling. Ele mostra a vida de um jovem fascista e anti-semita, cujo ódio impressiona um grupo terrorista de direita. Só que, na verdade, o jovem é de origem judia e, quando menino, questionava os ensinamentos do Torá. A polêmica deveu-se não só ao roteiro provocativo, mas também à elogiada atuação de Gosling. Segundo o diretor, que também escreveu o roteiro, a idéia do filme surgiu tempos atrás, ao ler um artigo no New York Times sobre um membro da Klu Klux Klan que teve de confrontar-se com sua origem judaica.O Caminho de Casa, de Zhang Yimou, venceu o prêmio do público de melhor filme estrangeiro. Já o prêmio do júri para melhor documentário ficou com Southern Comfort, de Kate Davis. Dois favoritos para o prêmio principal, The Deep End e The Business of Strangers, acabaram superados pela polêmica de The Believer.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2001 | 14h27

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