Guillaume Horcajuelo/Efe
Guillaume Horcajuelo/Efe

Suíça diz que EUA negaram acesso a documentos do caso Polanski

Em carta à embaixada, autoridades dizem que decisão pesou no veredicto sobre o cineasta

Associated Press

15 de julho de 2010 | 12h13

LOS ANGELES - O governo da Suíça assegura que o Departamento de Justiça dos EUA rejeitou o pedido para a justiça ter acesso a transcrições confidenciais no caso da extradição do cineasta franco-polonês Roman Polanski, revelam documentos obtidos pela Associated Press na quarta-feira.

 

As autoridades suíças disseram em uma carta dirigida à embaixada americana em Berna que a rejeição do acesso às informações foi um fator crucial em sua decisão de libertar Polanski e não extraditá-lo aos EUA.

 

Um porta-voz do gabinete do promotor do condado de Los Angeles disse que as autoridades jamais receberam uma solicitação do governo suíço e que não sabia que o Departamento de Estado americano havia rejeitado o pedido. A porta-voz do Departamento de Justiça, Laura Sweeney, se recusou a comentar o assunto.

 

No documento, as autoridades suíças disseram que a recusa em extraditar Polanski teve como argumento sólido a rejeição do Departamento de Justiça dos EUA em permitir o acesso às transcrições do testemunho do promotor do caso. "Em virtude do fato de que os documentos originais não foram transmitidos por completo, foi negada a extradição de Roman Polanski aos EUA", diz o texto.

 

Polanski foi libertado no último dia 12. O cineasta, hoje com 76 anos, fugiu dos Estados EUA em 1º de fevereiro de 1978, dia em que foi formalmente sentenciado por ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos de idade.

 

Ele foi detido em 26 de setembro de 2009 ao desembarcar na cidade de Zurique, onde seria homenageado em um festival de cinema. Após sua prisão, Polanski passou dois meses em uma prisão na Suíça, e depois foi autorizado a esperar uma decisão final sob prisão domiciliar, que cumpre a sete meses em uma residência que possui na localidade de Gstaad, uma estação de esqui exclusiva.

 

Os EUA insistiam em sua extradição para julgá-lo pelo crime de 1977. Anos depois, porém, Polanski chegou a um acordo econômico com a jovem e sua família, que retirou todas as acusações e se pronunciou publicamente pelo fechamento definitivo do caso. Os juízes americanos consideram que o crime não prescreveu e deve ser julgado.

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