Desiree do Valle
Desiree do Valle

Sucesso absoluto, Leandro Hassum estrela ‘O Candidato Honesto 2’ e faz shows nos EUA

'A gente só quer fazer rir, mas o humor ficou complicado, porque você passa a mensagem de um jeito, as pessoas recebem de outro'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2018 | 06h00

João Ernesto está de volta. O político mais popular do cinema brasileiro aproveita o ano eleitoral para tomar de assalto as telas. Você se lembra – no primeiro filme, acometido de um surto de sinceridade, pois não conseguia mentir, o candidato honesto provocou toda aquela confusão que você sabe. Recapitulando – era o ano do impeachment, cujo pretexto foram as pedaladas fiscais e a (ainda) presidente Dilma era flagrada pelo candidato em seu gabinete, dando suas pedaladas matinais na bicicleta ergométrica.

O público se divertiu tanto que o filme faturou 2,3 milhões de espectadores – sucesso para ninguém botar defeito. No segundo filme que estreou na quinta, 30, João Ernesto – de volta na interpretação de Leandro Hassum – foi preso e, de volta à liberdade, é cooptado por um político de bastidores, Ivan Pires, que quer ser o vice em sua chapa. O vice em questão chama-se Ivan Pires e se assemelha muito ao presidente Michel Temer. É interpretado por Cássio Pandolfi, que ameaça roubar a cena de Leandro Hassum.

“Ah, eu deixo, não faz mal. Se é para o público rir, está valendo”, diz Hassum. Com seu humor careteiro, baseado na improvisação, ele não para nem um segundo. Está sempre fazendo piada. E como é fazer humor nessa era de politicamente correto? “A gente só está querendo fazer rir, mas realmente o humor ficou complicado, porque você passa a mensagem de um jeito, as pessoas recebem de outro e isso pode criar o maior problema. A sátira política, de qualquer maneira, tem tradição no Brasil. Na época de Getúlio Vargas, ele era o primeiro a rir das piadas que faziam dele, mas eram outros tempos, claro.”

Em O Candidato Honesto 2, a galera está de volta – Hassum, o roteirista Paulo Cursino, o diretor Roberto Santucci. “O Santucci está filmando na Argentina. E o Cursino, você sabe, eu amo esse cara porque ele escreve na embocadura da gente. Escreve para mim, para Ingrid (Guimarães). O Cursino tem timing de comédia.” E as gozações com o cinema brasileiro? “Acho supersaudável. Os críticos falam mal da gente, não é vingança, porque eu acho que os nossos números ajudam a levantar o cinema brasileiro e as pessoas terminam vendo outros filmes nacionais, também. Agora, uma gozaçãozinha vale, né?” 

No conjunto, os filmes de Leandro Hassum já faturaram mais de 16 milhões de espectadores. Só a série Até Que a Sorte nos Separe fez 10,6 milhões de pagantes. Hassum prossegue – “É, véio, rola um nariz torto quando um filme meu, como o Candidato 2, entra em 800 salas... Fazer o quê?” O Candidato Honesto 2 mostra a necessidade de mudar o Brasil. “No primeiro filme, contar a verdade não ajuda. Não basta querer mudar A questão é outra – quanto a gente quer mudar de verdade? Porque não são só os políticos que têm de mudar. A mudança começa na gente, no povo, com voto consciente.”

Hassum terminava seus compromissos de lançamento de O Candidato Honesto 2 e já se mandava para Miami, onde mora. Sempre foi um sonho morar nos EUA? “Um sonho, não digo, mas é outro nível de organização.” Como assim, outro nível se ele está fazendo gozação com o celerado que governa a ‘América, Donald Trump? “Ah, mas esse já nasceu como caricatura. Se os outros levam a sério, o problema é deles. De qualquer maneira, não é porque estou morando em Miami que me desliguei do Brasil. Essa vai ser sempre a minha casa. Tudo o que faço, meu humor tem a ver com o povo brasileiro...” Tudo isso é verdade, mas cada vez mais Leandro Hassum é um comediante internacional, porque faz shows nos EUA, uma agenda bem lotada. “Tem muito brasileiro lá, muito hispânico, então é um público imenso e que se identifica muito com o humor que faço.”

Mudou muito o estilo dele, depois que emagreceu? “Eu realmente estava gordo demais, aquilo estava prejudicando a minha mobilidade. Sou cria do Jerry Lewis, dos Trapalhões. Meu humor é verbal e físico, então conseguir fazer as coisas estava difícil. Emagrecer revelou para o público e até para mim um novo Leandro Hassum. Hoje faço coisas que não fazia. Fiz o Teodoro na nova versão de Dona Flor, com a Juliana Paes, e foi muito bom para mim. Estou fazendo coisas novas, e de repente não sou mais só o comediante. Minha praia continua sendo fazer rir, mas agora posso tentar alguma coisa mais dramática, e isso amplia meus limites.”

Agora mesmo, Hassum faz o Carlos Imperial na cinebiografia de Wilson Simonal, com Fabrício Boliveira no papel. “Fazer o Imperial foi uma delícia para mim. Fiz muita lição de casa, vi os documentários, vi muita coisa sobre os filmes dele. E eu precisei usar no filme alguns artifícios que as pessoas falavam muito que ele tinha. Coisas como ele se comportava nas reuniões, a forma como lidava com as mulheres, tanto as mulheres da vida dele quanto as demais pessoas com quem trabalhou”, conta ainda Hassum. 

“Tentei recriar o carisma que todo mundo diz que ele tinha, inclusive tem gente que garante que ele era o mau-caráter mais simpático e carismático de todos. E o que fiz foi colocar um pouco desse sarcasmo do Imperial no meu jeito bonachão. Gosto de trabalhar esse meu jeito mais expansivo, e isso, pelo que soube, o Imperial também tinha”, acrescenta.

E Hassum prossegue – “Foi uma delícia trabalhar com o Leo(nardo Domingues, diretor), com toda a equipe, todo o elenco. Foi um trabalho leve, com uma caracterização bacana, diferente de tudo o que já fiz, porque pela primeira vez interpreto um personagem que existiu, com uma história tão rica, uma biografia tão cheia de trabalhos. Sinceramente, gostaria de me sentar com o Imperial para ouvir as histórias contadas por ele, mesmo sabendo que muita coisa seria mentira, porque o Imperial era conhecido como grande mentiroso.” E a TV, muita novidades? “Agora a Globo prepara uma atração para mim.” Ele jura que não sabe qual vai ser, e até provoca – “Estou tão curioso quanto você.”

 

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