California Filmes
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'Submersão' está entre as estreias da semana no cinema; veja outros destaques

'Construindo Pontes' e 'De Encontro com a Vida' também são boas opções para o final de semana

Luiz Zanin Oricchio e Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 07h00

Submersão - BOM

Como agora é moda pichar Wim Wenders, seu novo filme, Submersão, tem sido tratado aos pontapés pela crítica. Ora, ora, um pouco de moderação não faz mal a ninguém. Se é verdade que Submersão é inferior às melhores obras de Wenders, como Paris Texas e Asas do Desejo, nem por isso é desprezível, ou mesmo descartável. Pelo contrário, em meio a uma produção mundial para lá de bisonha, Submersão fica acima da linha d’água, por assim dizer. O que indica o título? Bem, dois casos-limite, que se unem em um só por força do destino. Danielle (Alicia Vikander) é uma cientista náutica, que decide enfrentar uma radical descida em submarino em busca do mistério da vida, escondido nas profundezas do oceano. James (James McAvoy) é um espião britânico, disfarçado de especialista em descoberta de água potável, mas mais preocupado em descobrir a origem de atentados terroristas do que em cavar novos poços no deserto. Os dois se encontram num hotel em Paris, dão início a um caso, apaixonam-se, mas devem seguir os destinos impostos por seus deveres profissionais e ambições pessoais. O filme é bonito em determinadas sequências e apresenta inconsistências em outras.

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As trajetórias do casal desfeito, Danielle e James, são vistas em montagem paralela, o que nem sempre produz o efeito desejado. Mas a dupla funciona bem, de maneira isolada, - e tanto Alicia Vikander quanto James McAvoy são críveis e mostram química quando juntos na tela. A ideia subjacente (o filme é adaptado de um romance de J.M. Ledgard) é a de que a profundidade tanto atrai como é fonte de perigo. Seja no campo científico, seja no da política mais radical, o perigo e a morte espreitam o ser humano. Há uma força poderosa, e que se opõe à morte: o amor. Eros e Tânatos, a eterna batalha, hoje francamente inclinada para o segundo oponente. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

Construindo Pontes - BOM

Importante documentário de Heloísa Passos sobre ela e o pai, relacionamento transformado em metáfora do País. Álvaro foi engenheiro civil que trabalhou em obras durante o governo militar e mantém pensamento conservador. A filha é cineasta e dona de convictas ideias progressistas. Uma viagem vai aproximá-los ou afastá-los de vez? Nada mais perigoso hoje em dia do que reunir no mesmo carro um senhor que tem o juiz Sérgio Moro como ídolo maior e uma mulher que julga a Lava Jato mero pretexto para tirar Lula da disputa presidencial. A desavença entre os dois é histórica. Para o pai, apenas durante o regime militar (1964-1985) houve um projeto de País. A filha se exaspera, denuncia os crimes da ditadura e seus desvios, sob o olhar impassível do pai, que minimiza o impacto violento do período no Brasil. Usando material de arquivo, filmagens domésticas e outras obtidas no curso da estrada, Construindo Pontes torna-se interessante reflexão sobre um país rachado, com pessoas que não mais se suportam e condenadas a viver juntas. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

De Encontro com a Vida - BOM

Marc Rothemund adquiriu projeção quando Uma Mulher Contra Hitler, premiado no Festival de Berlim, foi indicado para o Oscar. Para quem cravou nele a etiqueta de cineasta político, Rothemund reserva uma surpresa, e boa. É o diretor de De Encontro com a Vida, uma comédia romântica não destituída de charme. Mostra garoto de ascendência estrangeira cujo sonho sempre foi trabalhar num hotel de luxo. Ele se habilita, e ganha sua chance, mas tem problemas de visão que se agravam e poderão pôr tudo a perder, principalmente quando se apaixona. Rothemund tem um olhar sensível para a questão dos imigrantes. Algumas das melhores partes cômicas do filme estão ligadas ao personagem do cozinheiro afegão. E se é verdade que o filme não vai além de uma superfície elegante, a dupla principal, formada por Kostja Ullmann e Anna Maria Mühe, é cativante. Quando vir, você estará torcendo para que tudo dê certo. Sem risco de spoiler, é o que Hollywood chama de ‘feel good movie’, para que o público se sinta bem, terminada a sessão. / LUIZ CARLOS MERTEN

7 dias em Entebbe - BOM

Depois da grande repercussão da série O Mecanismo, que estreou no mês passado, na Netflix, o diretor José Padilha (de Tropa de Elite 1 e 2) lança nesta quinta, 19, nos cinemas, seu novo filme, 7 Dias em Entebbe. Inspirado em fatos reais, o longa conta a história do sequestro e do resgate dos passageiros do voo 139 da Air France, que viajava de Tel-Aviv para Paris, em 1976, e precisou fazer pouso forçado em Entebbe, na Uganda. Os sequestradores mantêm como reféns passageiros judeus, que acabam sendo negociados como moeda de troca na liberação de terroristas palestinos presos na Alemanha, em Israel e na Suécia. O governo de Israel tem, então, pouco tempo para cumprir os pedidos dos terroristas. E precisa tomar uma difícil decisão: negociar com eles ou fazer uma tentativa de resgate tida como impossível. Com roteiro assinado por Gregory Burke, o longa traz no elenco os atores Rosamund Pike, Daniel Brühl e Eddie Marsan. A trilha sonora é de Rodrigo Amarante. Indicado para o Oscar por seu trabalho em Cidade de Deus, Daniel Rezende é responsável pela montagem e Lula Carvalho, pela direção de fotografia. /LUIZ CARLOS MERTEN

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Exorcismos e Demônios

Inspirado em história real, filme fala sobre padre condenado à prisão após a morte de uma freira em que praticou um exorcismo. Tudo acontece no interior da Romênia, onde chega uma jornalista que quer descobrir se o religioso matou uma pessoa mentalmente doente ou se perdeu uma batalha contra uma força do mal. / LUIZ CARLOS MERTEN

Todo Clichê do Amor - RUIM

Diretor de Gata Velha Ainda Mia, Rafael Primot dirige agora Todo Clichê do Amor com Maria Luísa Mendonça, Marjorie Estiano e Débora Falabella. A prostituta que quer ser mãe, a madrasta que quer seduzir a enteada no enterro do pai da garota. Cada uma melhor do que a outra. / LUIZ CARLOS MERTEN

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O Terceiro Assassinato - ÓTIMO

Em O Terceiro Assassinato, um advogado assume a defesa de um réu confesso, acusado de matar seu patrão. Mas o caso apresenta reviravoltas estranhas, como a dizer que nem sempre as coisas são como parecem, mesmo quando evidentes. Grande filme de Hirokazu Kore-Eda. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

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Quase Memória - BOM

Versão livre de Ruy Guerra para o best-seller homônimo de Carlos Heitor Cony. Em tom operístico e reflexivo, o diretor encena o encontro de um homem consigo mesmo, em busca da figura paterna. Guerra é autor de grandes clássicos do cinema brasileiro, como Os Fuzis e Os Cafajestes. / LUIZ ZANIN ORICCHIO

ÚLTIMA CHANCE

Festival É Tudo Verdade

O festival de documentários vai chegando ao final, mas ainda há tempo de ver Adoniran - Meu Nome é João Rubinato, filme que abriu o evento. Outras atrações de hoje são O Distante Latido dos Cães, tratando da guerra na Ucrânia, e Ex-Pajé, sobre a questão indígena brasileira. CCSP (R. Vergueiro, 1000); IMS Paulista (Av. Paulista, 2424); Itaú Cultural (Av. Paulista 149); Sesc 24 de Maio (R. 24 de Maio, 109). Até 22/4

Mostra José Lewgoy

A Mostra José Lewgoy, que homenageia o ator José Lewgoy (1920-2003), começou ontem, 18, e fica em cartaz até 7 de maio, no CCBB. No total, serão exibidos 22 longas. Nesta quinta, 19, às 15h, haverá sessão de Matar ou Correr (com audiodescrição) e, às 19h, Amei um bicheiro. CCBB São Paulo. Rua Álvares Penteado, 112, centro, tel. 3113-3651. Até 7 de maio. Grátis (retirar ingressos até 1h antes

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