Stuart Little agora vem com família

E não é que o ratinho ficoumocinho? Foi o que disse Rodrigo Santoro na coletiva deapresentação dos dubladores de Stuart Little 2, que estréiaesta sexta em salas de todo o Brasil. Você vai encontrar muitascópias dubladas e poucas legendadas. Santoro empresta a voz aoratinho que foi incorporado à família Little. Até por causadesse nome - Little, pequeno -, a família tem uma norma: aspessoas têm o tamanho que acreditam ou que querem ter. Santoroacha que foi bacana ´interpretar´ - como deve ser bacana, para opúblico, seguir - as novas aventuras de Stuart, agoraadolescente. Ele dirige carro, tem um interesse romântico - poruma fêmea de passarinho, que um dia cai sobre ele, ou dentro deseu minicarro, perseguida por um falcão ameaçador. Na verdade,não é bem assim, mas o falcão é o vilão de Stuart Little 2 -um vilão de resto bem malvado, o que pode fortalecer aidentificação do público com o ratinho mais simpático do cinema.Jerry que nos perdoe, mas o posto cabe, agora, a StuartLittle. Ele não é personagem de desenho. É um truque numa liveaction, mas sua cara é um prodígio de efeitos animados, de talmaneira que tem expressão. Torna convincentes os dilemasexistenciais do pequenino Stuart. No primeiro filme da série, o tema do diretor RobMinkoff era a aceitação da diferença, hoje em dia tão em voga nocinema americano politicamente correto. Quase todas as animaçõesrecentes da Disney, por exemplo, fazem a defesa do direito àdiferença e o público se enternece com essas histórias,transformando filmes como A Bela e a Fera, agora lançado emvídeo e DVD, em megassucessos. É verdade que essa comoção pelodiferente termina quando a luz se acende, no interior das salas.O mundo, aqui fora, é outra coisa e o que predomina é adesconfiança. É a fala de um dos meninos de rua de Ônibus174, o documentário de José Padilha que também estréiaamanhã. O menino, na verdade é uma menina quem fala,queixa-se de que não pode nem chegar perto das pessoas porqueelas já entram em pânico. A defesa do direito à diferença levou Stuart a seraceito como igual pela família Little. Ganhou um pai, uma mãe,um irmão e até uma irmãzinha (que aparece pouco no segundofilme). Mas o problema permanece - Stuart é diferente. É muitopequeno, o que gera perigos constantes. Quase morre esmagadodurante a partida de futebol, mas como bom herói, mesmoliliputiano, arma a jogada para lançar nos pés do irmão a bolaque levará o time ao gol e, portanto, à vitória. A mãe ésuperprotetora e esse é outro problema. É divertido ver GeenaDavis, que já foi uma das mulheres mais sexys do mundo - emThelma e Louise, lembram-se? -, recolher a libido e fazeragora essa supermãe que sufoca Stuart com seu carinho. O pai é mais compreensivo. Percebe a necessidade decompanhia do filho e ela vem por meio de Margalo, a fêmea depássaro que é uma vigarista em busca de regeneração. O desfechofaz a apologia da liberdade e também do direito à segunda chance, esse tema tão americano. Como papai diz a Stuart, "sempre háluz no fim do túnel". O filme é bonitinho, com seus clichêsassumidos quase até a paródia. As crianças, de 0 a 80 anos, vãoadorar.Stuart Little 2(Stuart Little 2) - Aventura. Dir. RobMinkoff. EUA/2002. Dur. 81 min. Livre.

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