Stones participam da abertura da 58.ª edição da Berlinale

'Shine a Light', de Martin Scorsese, foi o 1º documentário musical exibido na abertura do festival de cinema

Efe,

08 Fevereiro 2007 | 15h26

Os Rolling Stones levaram Berlinale ao universo do rock com Shine a Light, o documentário de Martin Scorsese que abriu nesta quinta-feira, 7, a 58ª edição do Festival de Cinema de Berlin, que traduziu o cinema em pura 'satisfação' do incansável Mick Jagger.   Abrir Berlinale é sempre uma honra para o filme escolhido, e nesta ocasião o privilégio foi ainda maior: nunca se captou tão bem as facetas mais vivas do rock e, no tapete vermelho, os Stones desfilaram por completo. "Os Stones eram meu objeto de desejo, foram a música da minha vida", disse Scorsese, na qualidade de comandante de uma banda que o festival recebeu com entusiasmo e paixão de fã.   "É uma honra para nós estarmos aqui. É a primeira vez que um documentário musical abre um festival desse gênero. Nosso agradecimento vai para o diretor, Diete Kosslick", saudou Jagger, cavalheiro e carismático como no filme.   A banda desembarcou alardeando boas maneiras e com cara de bons moços. Destacaram que o documentário não tem a força de um show. "Não é um concerto, é um filme", afirmou Jagger, enquanto Keith Richards dizia que o melhor de tudo foi não notar as câmeras da equipe de Scorsese. "Estivemos o mais próximo possível de um concerto sem chegar a ser um incômodo", enfatizou o cineasta.   Shine a Light não é a filmagem de um show nem um documentário comum, moldado com as peças mais emblemáticas da banda e salpicada com declarações de seus heróis. É um filme com linguagem própria, em que Scorsese soube dar a cada cena um toque mágico. A câmera capta cada ruga e artéria de Jagger, convertido numa categoria humana própria, onde só cabe a questão de como ele pode sobreviver a seus concertos; Keith Richards, com seu aspecto permanente de ter acabado de cair de um coqueiro; Ronnie Wood, alter ego ou imitação de Richards; e por fim o monossilábico Charlie Watts, incapaz de dizer uma frase completa. Neste universo, Jagger é o único astro rei.   As imagens saíram de uma apresentação exclusiva - para 2.800 sortudos - no Beacon Theater de Nova York, realizada em 2006, com o ex-presidente americano Bill Clinton introduzindo o show como uma noite de gala contra o aquecimento global. No mesmo show se intercala um dueto com a popstar Christina Aguilera, acompanhando o pique de Jagger. Adiante, Scorsese incorpora impagáveis imagens de arquivo, com Jagger e Richards jovens explicando a moralistas que não são "anarquistas drogados".   Por alguns momentos, o espectador sente-se diante do concerto preso em sua poltrona, entre as fãs tirando fotos do deus Stone. Logo se consola diante da evidência de que está num lugar distinto, no cinema, e que num show jamais conseguiria chegar tão perto de cada imperfeição da pele de Jagger. Em cenas recentes ou de arquivo, Shine a Light mostra Jagger mais sexy do que nunca - tanto nos dias de hoje como nos primeiros anos da banda, quando dizia de forma quase messiânica que aos 60 anos pretenderia continuar o mesmo. O cantor apresenta-se como o organismo vital dentro da banda, enquanto Richards mostra-se como os maltratados bíceps e antebraço, por onde passaram muitas coisas.   Com os atros dos Rolling Stones, Scorsese e seu filme, Shine a Light transformou a abertura do festival num acontecimento histórico.  Um privilégio para também ser dividido com o diretor de Berlinale, Dieter Kosslick, que não precisou explicar porque colocou um documentário musical para abrir um festival de cinema. A escolha foi feita por pura 'satisfação'.

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