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Steven Soderbergh faz comédia ácida sobre os Panama Papers em 'A Lavanderia'

Exibido no Festival de Veneza e prestes a estrear na Netflix, ‘A Lavanderia’ tem só astros no elenco, entre eles Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2019 | 08h00

VENEZA – Steven Soderbergh escolheu uma abordagem bem didática e divertida em The Laundromat (A Lavanderia) e escalou Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas para mostrar o funcionamento do sistema financeiro global, com corrupção, evasão de impostos e subornos, baseado nos famosos Panama Papers – uma série de documentos vazados da Mossack Fonseca, sediada no Panamá e especializada na criação de empresas de fachada e companhias offshore.

O filme, exibido em competição no 76.º Festival de Veneza, está programado para entrar na Netflix em 18 de outubro. “Junto à mudança climática, a corrupção que estamos discutindo no filme é o tema definidor deste momento”, disse Soderbergh na entrevista coletiva após a exibição de imprensa.

“No ano 2000, o 1% do topo controlava 1/3 da riqueza mundial. Hoje eles controlam metade. Essencialmente são 50 pessoas com mais riqueza do que os 3,5 bilhões da base da pirâmide. Não me parece um paradigma sustentável. Mas aqui estamos. A única solução é a transparência. O sistema legal é corrupto, então o cidadão comum não consegue fazer nada”. Os Papeis do Panamá tiveram repercussão mundial, provocando a renúncia do primeiro-ministro da Islândia. Em Malta, uma jornalista que investigava o envolvimento de pessoas foi morta num carro-bomba.

No Brasil, apareceram os nomes de empresários, políticos e juízes, além da Petrobrás. Soderbergh usa uma edição ligeira para explicar direitinho o caso, usando os donos da empresa panamenha, Jürgen Mossack (Gary Oldman) e Ramon Fonseca (Antonio Banderas), como guias, em intervenções bem-humoradas. A linha condutora, porém, é a da aposentada Ellen Martin (Meryl Streep), personagem ficcional.

Numa viagem com o marido, o barco vira, e ele morre. Quando vai recuperar o dinheiro do seguro, ela descobre que sua seguradora a revendeu a outra, que revendeu a uma dessas “companhias de fachada” e, por isso, ela não pode comprar um apartamento, como queria. Mas Ellen não vai deixar barato e segue os rastros deixados pela companhia. “O luto é um grande motivador”, disse a atriz na coletiva. “Veja os pais das crianças assassinadas em Parkland, os pais das crianças assassinadas em Newtown. Eles são incansáveis na tentativa de mudar o mundo. Se é pessoal, você não para.”

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