Steve Carrell estrela filme com pé no Oscar

Steve Carrell estrela filme com pé no Oscar

'Foxcatcher' está na programação da Mostra no fim de semana

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 18h57

 Assim como o Festival do Rio teve sua seção de pré-indicados para o Oscar, a 38.ª Mostra também tem seus prováveis indicados para o prêmio mais cobiçado (o mais popular?) do cinema. Ninguém é mais candidato que Steve Carrell. Desde que Foxcatcher – A História Que Chocou o Mundo concorreu em Cannes, em maio, onze entre dez críticos – ou seja, mais que uma unanimidade – apostam que o virgem de 40 anos vai chegar lá. O longa de Bennett Miller é uma das atrações da Mostra no fim de semana. Inspira-se numa história real ocorrida nos anos 1990.


O milionário da Pensilvânia Jan du Pont, integrante de uma família tradicional cujas origens remontavam aos pioneiros da Guerra da Independência, possuía um time de luta livre. Seu objetivo era, como dizia, resgatar os ideais olímpicos americanos, mas talvez não fosse só isso. Edipiano, reprimido, sem vida sexual, Du Pont talvez fosse um daqueles sujeitos cujas convicções não lhes permite sair do armário. Seja como for, ele gostava de se cercar de homens – os seus meninos – e terminou por matar o astro da equipe, Dave Schulz. Muito se escreveu, nos EUA, sobre os motivos do crime. O próprio Du Pont, que morreu na cadeia, em 2010, nunca ajudou a esclarecer a questão. O diretor e roteirista Miller dá sua versão, e ela não é conclusiva. Em Capote, que valeu o Oscar para Philip Seymour Hoffman em 2005, Bennett Miller já discutiu a sexualidade, e a homossexualidade, masculina. O tema ronda de novo Foxcatcher.

Em A Pequena Miss Sunshine, de 2006, Steve Carrell já mostrara o grande ator dramático que poderia, eventualmente, vir a ser – dependendo dos papéis que lhe fossem ofertados. Em Cannes, em maio, numa entrevista realizada no Hotel Carlton, ele disse ao repórter: “Nunca encarei como uma necessidade fazer um filme sério, com um grande personagem dramático. Gosto do que faço, o público gosta de mim. O que quero dizer é que nunca me impus o desafio e, consequentemente, não busquei esse papel. Foi ele que me encontrou. E, aí sim, eu seria um tolo, se não aceitasse”. Para Carrell, o roteiro de Foxcatcher é “o mais intrigante que já li. Sombrio e, ao mesmo tempo, com partes engraçadas. Bennett propõe um enigma que não se interessa de resolver. É um diretor a quem admiro”.

Por três, quase quatro anos, Miller tentou convencer Steve Carrell de que era o ator certo para o papel. “Du Pont foi muito documentado. Ele próprio encomendou documentários sobre sua persona. Olhando os filmes, achei que dava para encarar.” O nariz postiço e a prótese dentária ajudaram. “Eram incômodos, mas me jogaram dentro do personagem. Essa foi a parte fácil. Difícil foi tentar encontrar suas motivações.” Para Carrell, não há diferença entre fazer comédia ou drama. “O que importa é o personagem e, como na vida, as coisas andam misturadas. Seria um erro encarar Du Pont como uma ferramenta para meu êxito pessoal. O que interessa é a história que Bennett quis contar. O Oscar, se vier a indicação, será mais tarde.”

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