Stephen Daldry, diretor de 'Trash', fala sobre seu novo filme

Inglês está no Rio em companhia do roteirista Richard Curtis

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 15h40

RIO - Stephen Daldry admite que está nervoso, ou melhor, ansioso. "Acho que tem de ver com a diferença cultural, com o fato de estar fazendo um filme brasileiro. Sempre fico nervoso antes das pré-estreias, mas desta vez tenho de admitir que estou mais nervoso ainda." O diretor inglês está no Rio em companhia do roteirista Richard Curtis para o tapete vermelho de Trash - A Esperança Vem do Lixo. O longa adaptado do livro de Andy Mulligan faz esta noite a gala de encerramento do Festival do Rio. Nesta quarta-feira, 8, também à noite, ocorrerá a premiação.

Quem levará o Redentor de melhor filme? Se o júri presidido por Karin Ainouz fizer a coisa certa não dá outro - Casa Grande, de Fellipe Barbosa. Mas isso é assunto para esta quarta-feira. Daldry admite estar de lua de mel com seu novo ‘rebento’. "Encontrei no Brasil uma equipe maravilhosa. Técnicos, atores, todos se empenharam para contar essa história com a gente.” Desde o início, o roteirista Curtis e ele sabiam o que não queriam - "Não queríamos simplesmente verter nosso diálogo para o português. Queríamos colocar na tela a brasilidade que descobrimos e sentimos. Toda a equipe foi fundamental." Por equipe, entenda-se a estrutura que a O2 viabilizou para Daldry e seu produtor, Kris... "Foram todos além do profissionalismo. O filme foi feito com paixão."

Trash conta a história de três garotos que encontram uma carteira no lixo, com dinheiro e uma chave com instruções que, decifradas, levará ao desmantelamento da cadeia de corrupção e violência mancomunadas da polícia e da política. No livro, a cidade e o país não são identificados. Daldry e Curtis 'abrasileiraram' a trama. Fizeram um filme na contramão do cartão-postal. Nada a ver com Rio Eu Te Amo, mas é provável que Trash venha a ser objeto de incompreensão - o filme estreia quinta, em 250 salas. É uma fábula, contada realisticamente. Contra todas as evidências, os garotos vencem. "É um kid’s movie", define o roteirista. "Por mais que elementos sociais e políticos sejam importantes na trama, é uma aventura, e como tal a encaramos. Tenho três filhos, de 10, 12 e 16 anos, e todos adoraram."

Wagner Moura, com seu bigode de Pablo Escobar, veio da Colômbia para o tapete vermelho. Fez grandes elogios a Daldry. “Existem encontros que são especiais, que acontecem só de vez em quando na vida. Esse foi um deles. Esse cara (Daldry) é incrível, aprendi muito com ele. Já pedi para trabalhar de novo e ele me prometeu que quando tiver um papel em inglês com um sotaque estranho me chama." E o ator acrescentou - "É muito bacana ter um diretor com essa sensibilidade olhando para o Brasil desse jeito." Wagner faz quase toda sua participação em flash-back, mas o personagem é decisivo. É ele quem deflagra a narrativa e inspira os garotos. Selton Mello, também presente na narrativa, está na ponta inversa. Faz o que nunca fez antes no cinema brasileiro - interpreta o policial sanguinário e cruel.

"Há tempos que eu estava só nessa de dirigir (NR - dois longas e os 100 e tantos episódios da série Sessão de Terapia). Trash me devolveu o tesão de trabalhar como ator. Há muito não sentia esse brilho no meu olho. é meu renascimento como ator." André Ramiro e José Dumont - definido como Wagner como o maior ator brasileiro - também estão no elenco. Todos ressaltaram o otimismo do filme. A fábula de Stephen Daldry fala de esperança, depositada nos jovens. Richard Curtis chegou a fizer - "No início, achei que estávamos fazendo um thriller sobre a caçada a uma carteira que desapareceu no lixo, mas depois a gente percebeu que, na verdade, tinha feito um filme sobre a esperança. É claro que esperamos que todos riam, se emocionem, mas será realmente muito bonito se a gente conseguir mudar a vida de alguém com nosso filme."

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