"Starsky and Hutch" diversão ao som de discoteca

Baseado no seriado original dos anos 70, o filme Starsky and Hutch é o encontro de Máquina Mortífera com As Panteras. Dois policiais - com personalidades bastante distintas - acabam formando uma dupla a contragosto, depois de missões fracassadas. Maior clichê impossível. O diretor Todd Phillips aproveita-se disso para, ao contrário das recentes adaptações de séries antigas para o cinema, como Missão Impossível e as próprias Panteras, ambientar Starsky and Hutch na época da série, os anos 70. É daí que saem as melhores piadas do filme, uma comédia que brinca o tempo todo com as roupas, cabelos, as discotecas, os carros, enfim, com todo o exagerado visual da década. Na série original (que no Brasil está na TV por assinatura) a ação se passa em Los Angeles. É quase a única diferença para o filme atual, que optou por localizar a história na fictícia Bay City. De resto, pouco mudou. Dave Starsky (Ben Stiller) é o policial que segue as regras, enquanto Ken "Hutch" Hutchinson (Owen Wilson) faz o papel do tira que não leva nada muito a sério, faz sucesso com as mulheres (a cena em que ele se dá bem com Carmem Electra e Amy Smart levou o prêmio do MTV Movie Awards de Melhor Beijo) e tem um pé na bandidagem. "Hutch" é amigo do trapaceiro Branca de Neve (Huggy Bear), interpretado pelo lendário Antônio Fargas no seriado original (até hoje existem fãs-clubes do ator nos EUA), e revivido pelo rapper Snoop Dogg no filme. E os dois continuam circulando pela cidade num envenenado Ford Torino vermelho com uma grande faixa branca lateral que lembra o símbolo da Nike. Starsky and Hutch, o filme, passa-se numa época anterior aos eventos da série. Ele começa quando são designados para investigar o assassinato de um elemento ligado ao empresário Reese Feldman (Vince Vaughn). Durante a averiguação, descobrem um tipo de cocaína que nenhum cão farejador é capaz de detectar. Como Feldman tem influência na alta roda de Bay City, os dois se complicam ao tentar provar sua culpa. E a maneira como a dupla descobre se tratar mesmo de cocaína rende uma das cenas mais engraçadas do filme - exageradamente anos 70 - onde a dupla acaba numa danceteria ao estilo Embalos de Sábado à Noite e Starsky duela na pista ao som de clássicos da disco music. Até os coadjuvantes brilham no filme. Snoop Dogg faz quase que o papel de si mesmo na vida real, o que já é uma uma coisa e tanto, mas seu personagem é um dos melhores bandidos dos últimos tempos no cinema. Will Ferrel, apesar de só aparecer preso e com os mesmos trejeitos de seus personagens de Saturday Night Live, protagoniza pelo menos duas cenas impagáveis. Há ainda Juliette Lewis, num papel menor, que, assim como Snoop Dogg e Ferrel, participou do filme anterior de Todd Phillips, Dias Incríveis. Phillips, aliás, mostra perícia ao dominar todos os clichês cinematográficos típicos dos seriados de TV dos anos 70. Encheu o filme de referências que terminam com a aparição da dupla original, Paul Michael Glaiser (Starsky) e David Soul ( "Hutch"), que vende um Ford Torino à nova dupla. Homenagem do filme que pode não ser tão bom como Máquina Mortífera, mas é melhor que As Panteras.

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