Stallone volta ao ringue em 'Ajuste de Contas'

Ator fala sobre a carreira e o novo filme, no qual contracena com Robert De Niro

Cindy Pearlman, The New York Times

20 de dezembro de 2013 | 21h30

Se você tiver problemas para aceitar a ideia central do filme Ajuste de Contas - uma luta de boxe entre Robert De Niro, de 70 anos, e Sylvester Stallone, de 67 -, bem, não se sinta mal: Stallone também teve. "Não tinha intenção de voltar ao ringue em outro filme de boxe", diz o ator, em um hotel de Nova York. "Eu no ringue? Nesta idade? Isso não teria a menor credibilidade, afinal estou chegando aos 160 anos." E o que aconteceu? "Bem, Robert De Niro me telefonou", diz Stallone.

"Conversamos um bocado sobre o assunto. Achávamos que seria um erro, mas ficamos intrigados.O boxe, afinal, é uma metáfora da vida", diz Stallone, cujo Rocky, um Lutador 1976) é considerado o filme de boxe definitivo, exceto pelos que defendem Touro Indomável (1980), interpretado por De Niro. "A vida te derruba. O que faz uma pessoa ser bem-sucedida é ela conseguir se levantar de novo. O que realmente me atrai em roteiros hoje é uma mensagem de segunda chance."

O ator ainda possui uma incrível presença física - e conserva aquele senso de humor autocrítico que é sua marca registrada. "Quando estava escrevendo Rocky, se alguém me perguntasse se ainda estaria atuando com mais de 60 anos, eu o teria esmurrado. Quando comecei, achei que faria Rocky e fim. Eu não sabia que haveria Rocky 90 ou Rocky 91", ele acrescenta, com uma risadinha gutural.

Em Ajuste de Contas, que estreia no Brasil no dia 10 de janeiro, Stallone e De Niro interpretam dois pugilistas aposentados e arquirrivais de toda vida que, tendo se enfrentado em algumas lutas quando estavam no auge, são provocados a sair da aposentadoria para uma derradeira luta e, assim, definir, de uma vez por todas, quem é o melhor lutador.

Stallone faz Henry "Razor" Sharp, que jamais realizou seu pleno potencial, largou o negócio jovem e passou as últimas décadas trabalhando em uma siderúrgica. De Niro é Billy "The Kid" McDonnen, um amargo e desbocado dono de bar que não consegue deixar de ruminar sobre uma revanche que "Razor" nunca lhe ofereceu na época. "Este filme não é sobre um massacrar o outro", diz Stallone. "É uma história de dois homens que têm algo a provar."

Para Stallone, o verdadeiro tema do filme é o envelhecimento. "O filme prova que você não precisa ficar se arrastando ou manquejando por aí só porque atingiu uma certa idade", explica. "A mensagem do filme é que você não precisa entregar os pontos só porque envelheceu." Os dois atores já haviam trabalhado juntos no drama policial Cidade de Tiras (1997), exaltado pelo público e pela crítica.

"Eu queria trabalhar com De Niro", diz Stallone. "Sou seu grande fã. Touro Indomável é uma das mais brilhantes biografias de todos os tempos. É um desempenho perfeito. Se algum dia eu fosse subir no ringue, gostaria de subir no ringue com aquele homem." Ademais, ele admite que teria sido bastante difícil resistir ao atrativo de um filme de boxe, mesmo a essa altura da carreira. "Não penso neles como filmes de boxe. São biografias. Todo o mundo sabe como é estar frustrado e querer recuperar um nível emocional. Eu simplesmente tenho afinidade com esse tipo de história.

Stallone conta que, aos 7 anos de idade, já era fascinado pelo boxe. E, de certa forma, se identifica com os deserdados que encontram dentro de si as forças para reagir. Após ter sido um dos maiores astros de Hollywood nos anos 80, ele enfrentou um declínio na carreira nos anos 90 e 2000. Durante muito tempo, Stallone ficou mais conhecido como destaque em programas humorísticos de tarde da noite na TV do que como um respeitado astro de cinema.

E aí veio a virada. Primeiro, Stallone reviveu suas franquias, recebendo críticas positivas para Rocky Balboa (2006) e Rambo IV (2008). Depois escreveu, dirigiu e estrelou um hit surpresa, Os Mercenários (2010), que reuniu astros de ação dos anos 80 - entre eles o cordial rival de 30 anos atrás, Arnold Schwarzenegger. Stallone voltou - e as piadas de fim de noite pararam de chegar a todo instante.

Ele não voltou para a badalação do jet set que frequentava nos anos 80. Hoje, vive calmamente em Los Angeles com sua mulher, Jennifer Flavin, e suas três filhas, Sophia, Sistene e Scarlet. "A vida agora é sobre ainda ter alguma coisa a provar", diz o ator. "A vida nem sempre lhe permite corrigir os erros, mas às vezes você consegue. E isso o fará sentir que houve certa realização em sua vida." / Tradução de Celso Paciornik

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