Spike Lee filma a Nova York pós 11/9

Houve, nos anos 1960, outro filme intitulado A 25.ª Hora. O de Spike Lee estréia no Brasil no mês que vem, depois de provocar polêmica no Festival de Berlim, em fevereiro. A produção antiga tem direção de Henri Verneuil, baseia-se no romance de Virgil Georghiu e põe Anthony Quinn no papel do agricultor romeno que é aprisionado pelos nazistas e, considerado um ariano perfeito, galga postos no regime de Adolf Hitler, até ser julgado como criminoso em Nuremberg. O ponto de Georghiu (e Verneuil) é que o herói, caçado sucessivamente por nazistas, russos e americanos, nunca entende de que lado estão as pessoas nem exatamente pelo que lutam e aí vai a crítica dos dois, do escritor e do diretor, ao absurdo da guerra. "Não conheço esse filme", admite Spike Lee, numa conversa por telefone. O dele também se chama The 25th Hour (A 25.ª Hora), por ser esse o título do romance de David Benioff, adaptado pelo autor. Trata de outra guerra. É a história de um traficante de Nova York, interpretado por Edward Norton, que vive suas últimas 24 horas em liberdade. A 25.ª hora ele já passará na cadeia, após a denúncia que levou os policiais à sua casa - e diretamente ao sofá no qual estavam escondidas as drogas que traficava. Em Berlim, há três anos, Spike Lee havia feito sensação com A Hora do Show, seu ataque ao audiovisual dos EUA, seja cinema ou televisão, pela maneira discriminatória como retrata os negros. Lee havia aproveitado para investir pesado contra o presidente George W. Bush, recém-eleito. Denunciou o episódio da Flórida, quando eleitores afro-americanos contrários a Bush foram impedidos de votar ou tiveram seus votos anulados. Este ano, de volta à Berlinale, Lee insistiu nas críticas a Bush. A guerra contra o Iraque ainda era só uma ameaça, havia, por toda a Europa, manifestações contra o presidente e Lee sugeriu que a fraude da eleição já obedecia a interesses econômicos e militares, confirmados pela decisão de Bush de ir à guerra contra Saddam Hussein.Leia mais no site do Estado

Agencia Estado,

14 de abril de 2003 | 12h34

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