Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Ian Langsdon/EFE
Ian Langsdon/EFE

Spike Lee chama Bolsonaro, Trump e Putin de ‘gângsteres sem moral nem escrúpulo’ em Cannes

Na coletiva, Kleber Mendonça Filho, membro do júri do Festival de Cannes, disse que governo brasileiro poderia ter evitado 350 mil mortes pelo coronavírus

Redação, AFP

06 de julho de 2021 | 12h35

O cineasta americano Spike Lee disse nesta terça, 6, que “mundo é governado por gângsteres" em referência a Donald Trump, Jair Bolsonaro e Vladimir Putin, em suas primeiras declarações como presidente do júri do Festival de Cannes. Ele também condenou a brutalidade contra os negros nos Estados Unidos.

A tradicional coletiva de imprensa que antecede a abertura do maior festival de cinema do mundo imediatamente ganhou contornos políticos, em uma prévia do que pode ser a 74ª edição de Cannes, após seu cancelamento no ano passado devido à pandemia.

“Este mundo é governado por gângsteres. O agente laranja (referindo-se a Trump), aquele cara no Brasil (Bolsonaro) e Putin são gângsteres. Sem moral, sem escrúpulos. É o mundo em que vivemos”, disse o diretor americano comentando que o júri de Cannes não deve apenas "criticar os filmes, mas o mundo e os gângsteres".

Spike Lee, 64, é o primeiro afro-americano a ocupar o posto de presidente do júri do Festival de Cinema de Cannes, que começa nesta terça, 6, com o musical Annette, estrelado por Adam Driver e Marion Cotillard.

Ele comentou ter apresentado, em 1989, em Cannes, o filme Faça a Coisa Certa, sobre a violência contra os negros nos Estados Unidos. “Quando você vê como Eric Garner e George Floyd foram mortos, linchados... Poderíamos pensar que depois de malditos 30 anos os negros parariam de ser caçados como animais”.

Spike Lee não foi o único a associar cinema e militância. Os outros membros do júri também se pronunciaram.

O diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho falou sobre a crise sanitária que o Brasil vive, com mais de 500 mil mortos vítimas da covid-19. “Segundo dados técnicos, se o governo tivesse feito o que deveria ter feito, 350 mil vidas teriam sido salvas”, ele disse.

Mendonça Filho também lamentou o “fechamento há mais de um ano da Cinemateca Brasileira, com 90 mil filmes (...) e todos os técnicos e especialistas demitidos”. “Esta é uma forma muito clara de reprimir a cultura e o cinema”, disse Kleber Mendonça Filho. Para ele, “uma forma de resistir é passar a informação e falar sobre isso”.

Por sua vez, as mulheres da comissão julgadora, que são a maioria, reivindicaram mais igualdade na indústria cinematográfica.

"Mesmo dentro de uma cultura tão masculina, fazemos filmes diferentes, explicamos as histórias de outro jeito. Vamos ver o que acontece com um júri de cinco mulheres e quatro homens", disse a atriz americana Maggie Gyllenhaal.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.