Spielberg revisita o Holocausto em documentários

Steven Spielberg, diretor de A Lista Schindler, volta agora ao tema do Holocausto, 12 anos depois, como produtor da série de documentários Rompendo o Silêncio (Broken Silence), que sai em DVD no Brasil na próxima quarta-feira. Dois dos cinco filmes - Alguns Que Viveram, de Luis Puenzo, e Eu Me Lembro, de Andrej Wajda - terão pré-estréia amanhã, no cinema do clube A Hebraica. Cinco renomados diretores de diferentes países foram convidados para dar a sua versão do Holocausto e da perseguição aos judeus durante a 2.ª Guerra Mundial. O fio condutor dos cinco filmes - cada um com cerca de 55 minutos - é o olhar das crianças sobre a tragédia. É uma solução lógica, uma vez que os atuais sobreviventes eram crianças na época. Alguns Que Viveram (Algunos Que Vivieram) conta a história dos judeus que conseguiram se refugiar na Argentina. Dirigido pelo argentino Luiz Puenzo, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1985 por A História Oficial, traz imagens raras - algumas coloridas, dificílimas de se encontrar - da tomada da Polônia por Hitler em 1.º de setembro de 1939. Traz à discussão um tema que ainda não foi largamente explorado: o flerte dos governos latino-americanos, especialmente do presidente Juan Perón, com o nazismo. Eu me Lembro (Pamietan), do aclamado diretor polonês Andrzej Wajda (de Danton, 1983), é baseado em quatro depoimentos, de sobreviventes que assistiram à ocupação da Polônia pelos alemães. Olhos do Holocausto (A Holocaust Szemei), do húngaro János Szász (de Woyzech, 1994), também é conduzido por uma criança, a partir de palavras como anti-semitismo, deportação e crematório, para reconstruir a experiência de sobreviventes húngaros. Inferno na Terra (Hell on Earth) conta o que o seu diretor, o checo Vojtech Jasny, sentiu na pele: o pai dele foi deportado para Auschwitz e assassinado. Depois disso, Jasny trabalhou com espião para os aliados durante a 2.ª Guerra. O documentário detalha o cotidiano no Theresienstadt, o gueto checo, aonde os nazistas levavam os diplomatas para mostrar como os judeus estavam sendo bem tratados. O filme mostra desenhos impressionantes de crianças que passaram por Auschwitz e, depois, acabaram assassinadas. O russo Pavel Chukhraj (de O Ladrão, 1997) também recorre às memórias da infância para fazer o seu Crianças do Abismo (Deti iz Bezdny). Aqui, a questão-chave é a da sobrevivência dos jovens e crianças, quase sempre sozinhos, após o assassinato de seus pais.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.