Niko Tavernise/20th Century Studios
Niko Tavernise/20th Century Studios

Spielberg lança atrizes latinas na nova versão de 'Amor, Sublime Amor'

Original atraiu críticas por ter protagonista branca e a pele de Rita Moreno ter sido escurecida para dar vida a Anita; elenco de Spielberg foi considerado mais autêntico

Andrew Marszal, AFP

11 de dezembro de 2021 | 13h00

Ser escolhida entre 30 mil candidatas pelo aclamado diretor Steven Spielberg é o sonho de qualquer atriz, mas para Rachel Zegler, ganhar um lugar no elenco da nova versão de Amor, Sublime Amor não foi um processo nada simples.

“Não parecia um conto de fadas. Na verdade, eu estava bastante estressada!”, conta Zegler, que protagoniza o remake do musical que estreia na sexta-feira, 10, nos Estados Unidos.

Para conseguir o papel, Zegler submeteu um vídeo quando tinha 16 anos no qual cantava I Feel Pretty, uma das canções mais famosas da produção. Ela então participou de oito ou nove audições ao longo de um ano.

"Saí de cada rodada pensando: se não for meu, mal posso esperar para ver este filme, e tive o dia de hoje, conheci essas pessoas legais, e talvez eles me considerem para outra coisa", diz a atriz, agora com 20 anos, em entrevista à AFP.

“Eu me diverti muito e aí eu consegui a oportunidade de realmente fazer o filme”, acrescenta.

Devido à pandemia, o longa levou mais de dois anos para estrear após o término das filmagens. Nesse intervalo, Zegler ganhou o papel de Branca de Neve no recriação live action desse clássico da Disney.

Agora na tela grande e lançada ao estrelato com um papel que pode até colocá-la na competição pelo Oscar, Zegler diz que não tem certeza como se sente ao se tornar uma celebridade. “Ser conhecida é divertido, é legal”, comenta

Somos diferentes

A decisão de Spielberg de refazer o filme de 1961 atraiu críticas de muitos fãs que sentiram que não havia nada a melhorar.

Marcando um recorde para um musical, Amor, Sublime Amor venceu dez Oscars, incluindo Melhor Atriz Coadjuvante para a porto-riquenha Rita Moreno, a primeira mulher latina a ganhar a estatueta por sua atuação, que viria a se tornar uma das poucas artistas a também ganhar um Emmy, um Tony e um Grammy, grupo seleto chamado de EGOT.

As resenhas da nova versão foram entusiásticas, com especial destaque para Zegler e Ariana DeBose, que interpreta Anita, o papel que era de Moreno em 1961.

Diante das críticas que o original atraiu porque sua protagonista, María, foi interpretada por uma mulher branca (Natalie Wood), e porque a pele de Moreno foi escurecida para ela dar vida a Anita, o elenco de Spielberg foi considerado mais autêntico.

DeBose, que é afro-latina, diz que suas raízes a ajudaram a recriar a personagem de uma forma diferente da versão de Moreno, que, agora com 90 anos, também faz uma participação no filme.

“Não foi intimidador porque somos diferentes. Claro que ela é um ícone, ela é amada. Mas por eu ser afro-latina, somos mulheres diferentes com experiências diferentes, e minhas experiências informam essa personagem completamente”, explica DeBose.

"Caminho pelo mundo de uma maneira muito diferente. Então sinto que quando você sabe que tem algo a oferecer a um personagem, você se apega a isso e tira o foco da pressão do legado de outra pessoa", acrescenta.

Zegler, que é de uma família colombiana, diz ainda: “Como latina, não poderia estar mais orgulhosa de fazer parte de um projeto que nos representa de forma tão bonita.”

 

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