'Speed Racer' encontra uma nova geração

Com a ajuda dos inúmeros efeitos especiais e dos irmãos Wachowski, desenho japonês ganha outra cara

Felipe Lavignatti, do estadao.com.br,

08 de maio de 2007 | 15h28

Desde Matrix Revolutions, os irmãos Wachowski não assumiam a direção de um filme. Cinco anos depois, eles voltam a assinar um trabalho novamente, desta vez retratando um mundo de máquinas diferentes das enfrentadas por Keanu Reaves. Enquanto a trilogia Matrix mostrava um mundo escuro e apocalíptico, Speed Racer, o novo filme dos diretores, abusa das cores e luzes para ser fiel ao desenho animado japonês da década de 60 no qual foi baseado.  Veja também:Trailer de 'Speed Racer'   A fórmula de Matrix, com efeitos especiais que muitas vezes roubavam a cena da trama, foi potencializada em Speed Racer. O filme tem uma história bem simples, como os desenhos da época costumavam ter. Speed Racer (Emile Hirsch) é um jovem corredor que segue os passos do irmão, morto em um acidente durante uma corrida. Com a ajuda da família, ele vai construindo uma carreira nos moldes do seu herói, enquanto luta contra os oponentes corruptos e as grandes empresas por trás deles. Tendo este simples argumento em mãos - e a experiência em lidar com efeitos especiais -, os Wachowski só tiveram de ser fiéis ao estilo da família Racer para criar a melhor adaptação de desenho animado para o cinema. Nem tanto por mérito, mas pelas poucas obras que já foram transpostas com alguma fidelidade ao formato da tela grande, como Os Flintstones e o quase esquecido Popeye de Robert Altman. Para recriar este universo, Speed Racer abusa das cores e luzes, que ao mesmo tempo são um espetáculo e um ponto cansativo do filme. Em algumas cenas de ação, o estilo é tão frenético e recheado de cores que fica difícil entender o que está acontecendo. Nada que vá preocupar o público infantil, o principal alvo do filme. Mas não o único, já que muito pai que vai levar seu filho ao cinema cresceu assistindo as disputas do carro Match 5.  A trama simples, as cenas de ação mirabolantes, e as disputas entre os pilotos devem agradar os meninos em cheio. Até mesmo as meninas podem aproveitar o enredo, que abre espaço no meio de tanta ação para o romance do herói com Trixie (Christina Ricci). Como um bom cartoon da época, o humor está presente, e no filme, as melhores cenas são do irmão de Speed, Gorducho (Paulie Litt) e seu macaco de estimação Zequinha - cuja tradução seguiu o nome dado à versão do desenho no Brasil.  A família do corredor ainda conta com John Goodman no papel de Pops, o pai e responsável pelos carros da equipe; e a Mãe, interpretada por Susan Sarandon, mas quase submersa no universo masculino dos motores. Mesmo com bons nomes no elenco, todo personagem parece uma caricatura (característica que acaba sendo positiva, aproximando a adaptação do desenho) e nenhum atuação consegue destaque no circo de luzes do filme. Ao menos uma chama a atenção, principalmente para os mais jovens: a participação de Matthew Fox, o Jack do seriado Lost, no papel do Corredor X, mistura de rival e aliado de Speed. As origens do piloto, para quem desconhece totalmente a história da família Racer, é o principal pecado quanto à fidelidade, mas mesmo assim, bem compreensível. A tecnologia apresentada no desenho dos anos 60 também não foi fiel e precisou ser revista. Os apetrechos dos carros continuam iguais, dignos de uma Corrida Maluca, mas no mundo do filme os personagens convivem com carros voadores, palmtops e até mesmo Segways.  Tem brasileiro na pista O Brasil, que sempre contou com grande nomes no automobilismo, não foi esquecido. No último duelo do filme, aparece um carro verde com patrocínio na lateral da Petrobras. O veículo é fácil de ser visto antes da largada. Depois disto, o participante se perde entre os efeitos, restando a opção do público conferir o carro no cartaz brasileiro do filme.  Para quem fica até o último segundo dos créditos, mais um aperitivo do País: a famosa música tema ganhou uma versão moderna, com direito a um trecho em português, o que pode frustrar os fãs mais radicais. Tirando a trilogia Matrix, este é apenas o segundo trabalho na direção dos irmão Wachowski. E com um tema difícil, já que por trás do desenho existe sempre os fãs para apontar imperfeições na adaptação. Ao se manterem fiéis à simples trama original e encher o filme de efeitos especiais, os diretores conseguem agradar os mais radicais - assim como as crianças que nunca ouviram falar do desenho original.

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