SP ganha novo complexo de cinemas

Herdeiro de uma tradição que remonta ao começo do século passado, o exibidor Francisco Pinto Filho, de 63 anos, representa o Grupo Severiano Ribeiro, que tem mais de 200 salas espalhadas pelo País. Francisco é Severiano Ribeiro por parte de mãe, por isso seu apelido é tão importante, além de se constituir em outro nome completo: Kiko Severiano Ribeiro. O grupo surgiu no Nordeste, em 1915, quando o avô de Kiko, o lendário Luiz Severiano Ribeiro, fundou sua primeira sala de cinema, em Fortaleza. Nos anos 1920, ele já estava instalado no Rio e daí avançou por diversos Estados brasileiros, com uma nítida preferência pelo Nordeste. Faltava conquistar São Paulo. No ano passado, o grupo instalou-se em Campinas, onde outro Kinoplex, o do D. Pedro Parque Shopping, registrou, em 12 meses, a média de público de mais de 1,3 milhão de espectadores, a segunda maior do Brasil. O rei das salas de cinema, o imperador da exibição, chega agora à capital paulista com um conjunto de seis novas salas no Itaim-Bibi, mais exatamente no Brascan Century Plaza, na Rua Joaquim Floriano, 466. Só quatro funcionam a partir de hoje.É o novo endereço vip do cinema na cidade. As salas do Kinoplex da Severiano Ribeiro representam um investimento de R$ 6,5 milhões, bancados pelo grupo e três associados. O Kinoplex vai cobrar o ingresso mais caro de São Paulo (com os do Shopping Páteo Higienópolis): R$ 14, mas Kiko acredita no empreendimento. Prevê que poderá fazer 600 mil, talvez 700 mil espectadores no primeiro ano. Afinal, as salas estão instaladas num bairro de classe AA e possuem características para atender aos mais exigentes. São 1.322 poltronas e 2.000 vagas na garagem. Somam-se aos novos conjuntos de exibição da PlayArte na Av. Paulista e do Cinearte - leia-se Adhemar Oliveira e Leon Cakoff - no Shopping Morumbi. Em três semanas, São Paulo estás ganhando 17 novas salas, o que confirma o extraordinário aquecimento do mercado de exibição não só em São Paulo como no País. Multiplex estão pipocando em todas as partes, mas esse conceito de cinema seguro e luxuoso, localizado em shopping centers, termina por excluir o público de menor poder aquisitivo, o de periferia, que sempre foi, historicamente, o grande responsável pelas bilheterias que marcaram época no cinema brasileiro.As salas já estão equipadas para apresentar comerciais feitos em tecnologia digital, mas dentro de um mês Kiko promete o que será a sensação: uma das salas menores terá um sistema de projeção digital - instalado por Patrick Siaretta, da TeleImage - mais avançado do que o já existente no Shopping Jardim Sul, no Morumbi. E tudo isso em ambientes modernos e elegantes, com poltronas confortáveis e espaços destinados à alimentação e ao lazer. A programação vai privilegiar o cinema-espetáculo ou diversão, leia-se Hollywood, mas Kiko garante que haverá também espaço para programação de arte. Ele dá sua receita de sucesso: nunca misturou exibição com distribuição, porque acha que uma parte sempre termina prejudicando a outra. "São interesses conflitantes", observa e o leitor do Estado sabe disso, pois acompanhou, nas últimas semanas, a briga entre exibidores, que muitas vezes são distribuidores, e tradicionais distribuidores de filmes "inteligentes", que alguns deles preferem à classificação de arte. Para começar, o Kinoplex tem em sua programação O Homem do Ano, Deixe-me Viver, O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas, Procurando Nemo e a pré-estréia de Dirigindo no Escuro.Kinoplex - Rua Joaquim Floriano, 466, Itaim-Bibi, tel.: 3078-9960.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2003 | 12h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.