SP ganha mais nove salas de cinema

Ao menos um setor da economia parece não sentir a atual crise. Na sexta-feira, a cidade ganhará mais nove salas de cinema, com a inauguração do Unibanco Arteplex no Frei Caneca Shopping, aberto há poucas semanas na rua de mesmo nome, perto da Avenida Paulista.A novidade é que o Arteplex vai oferecer uma programação que irá mesclar os chamados filmes de arte - os que ganham prêmios nos festivais de Veneza ou Cannes e fazem a alegria dos críticos - com o cinema-pipoca, os filmes de sucesso de público, como Gladiador."Queremos que o público do ´cinemão´ se interesse, ou pelo menos possa ter acesso aos filmes culturais, pois muitos deles só não fazem sucesso por puro preconceito", conta Adhemar Oliveira, responsável pelas salas, em parceria com Leon Cakoff.Se depender do "pedigree" da dupla Cakoff-Oliveira no mercado cinematográfico, as salas do novo shopping têm tudo para dar certo. O primeiro é o criador do Espaço Unibanco, na Rua Augusta, tradicional ponto de encontro de quem curte bons filmes, e o segundo criou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, evento reconhecido mundialmente que traz ao Brasil os melhores filmes de arte feitos no exterior.O Unibanco Arteplex consumiu orçamento de R$ 7 milhões e terá capacidade para 1.345 pessoas. As salas são de porte pequeno, com capacidade variando entre 103 (as três menores) e 268 lugares (a maior). Se falta tamanho, as salas esbanjam em luxo e sofisticação. O projeto da arquiteta Solange Libman prevê bom ângulo de visão mesmo para que sentar nas poltronas das pontas da primeira fila.O som dolby digital segue o padrão das salas mais modernas da cidade e os projetores Cine Mecanicca são de última geração. Tudo nas salas é automatizado. Os horários de projeção são todos programados no computador, que liga os projetores na hora da primeira sessão, acende as luzes do cinema nos intervalos e desliga tudo depois da última sessão. Com isso, acabam os problemas como filme fora de foco, projeções ruins e outros causados por falha humana. Outra novidade são as salas específicas. Uma será destinada a filmes brasileiros e outra a filmes latino-americanos. Três delas abrigarão o cinema-pipoca, enquanto as outras quatro receberão filmes independentes e de arte de todos os países. "Em termos de variedade de países, será uma verdadeira ONU", promete Oliveira. Para ele, o mais importante é formar público para o cinema de arte. "Se, a cada semana, conseguirmos fazer com que dez pessoas que só assistem ao cinemão assistam a um filme de arte, já será um grande progresso." Segundo Oliveira, essa mistura arte-popular tem tudo para dar certo. "Tenho certeza de que esse é um modelo para o Brasil inteiro".É um mercado que tem tudo para crescer ainda mais. Estima-se que, no ano passado, os filmes de arte levaram 2 milhões de pessoas aos cinemas, só no eixo Rio-São Paulo. O filme que vai abrir a projeção de inauguração do Unibanco Arteplex, amanhã, destinada apenas à imprensa e convidados, será Memórias Póstumas, de André Klotzel, uma fiel adaptação da obra de Machado de Assis. Também estão na programação o brasileiro Copacabana, o iraniano O Círculo, Fast Food Fast Woman e Baixo Califórnia. Planeta dos Macacos, 13 Dias que Abalaram o Mundo e Jurassic Park 3 são os representantes do cinema-pipoca. As crianças não terão do que reclamar. As matinês oferecem o divertido e bonitinho Tainá, Kiriku e a Feiticeira.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2001 | 10h12

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