"Soy Cuba" e "Carreiras" abrem Festival de Gramado

Os dois primeiros concorrentes apresentados - o documentário Soy Cuba, Mamute Siberiano, de Vicente Ferraz, e o longa de ficção Carreiras, de Domingos Oliveira - deram a largada ontem à noite para a disputa dos Kikitos, nome do troféu do Festival de Gramado. Apresentando seu filme, Vicente Ferraz disse que é a realização de um antigo projeto do tempo em que era estudante na Escola de Cinema e Vídeo de San Antonio de los Baños, em Havana. Lá ficou sabendo da existência de Soy Cuba, do russo Mikhail Kalatozov, uma co-produção entre Cuba e União Soviética, realizada em 1963. Um filme da guerra fria, propagandístico, que demorou mais de um ano para ser feito, tornou-se um fracasso de público e logo foi esquecido. Ferraz entrevista em Havana técnicos que participaram do projeto. E constata como aquele velho filme, do qual ninguém mais queria saber, acabou por se tornar um clássico do cinema, depois de redescoberto por dois monstros sagrados do cinema norte-americano, Francis Ford Coppola e Martin Scorsese, que o têm na conta de um dos filmes mais importantes daquela fase do cinema. Já Domingos Oliveira apresentou seu novo filme, Carreiras, como uma espécie de manifesto por um cinema barato. No palco, disse que "o cinema de incentivos fiscais é muito bom mas não pode ser a única maneira de fazermos os nossos filmes." Sem dinheiro, filmou Carreiras em digital, com elenco de conhecidos e, nessa produção barata, procurou contar a história de Ana Laura (Patricia Rozembaum), jornalista de TV que vive sua crise profissional e existencial numa "longa noite de loucuras" (alusão ao filme homônimo de Mauro Bolognini) pelo Rio de Janeiro. "As âncoras de TV são as mulheres mais competitivas do mundo", disse Oliveira, "mais do que as atrizes, porque só há emprego para duas ou três delas no mundo da televisão". Este ano, em sua 33.ª edição, os longas-metragens que competem no tradicional festival da serra gaúcha estão divididos em três segmentos, com premiações próprias - ficção nacional, documentário nacional e filmes latinos. Esse formato transformou o festival em verdadeira maratona, com um total de 17 longas-metragens (seis ficções nacionais, quatro documentários e mais sete latinos) em competição, fora os curtas em 16mm e 35mm, e mais as homenagens previstas. O capítulo homenagens tem seu ponto alto hoje à noite com a premiação com o troféu Oscarito para o casal global Tarcísio Meira e Glória Meneses. Na noite de competição, há outro famoso da TV, Paulo Betti, fazendo sua estréia na direção com seu longa-metragem Cafundó, história de João Camargo, um místico da região de Sorocaba interpretado por Lázaro Ramos. O segundo longa da noite é O Cerro do Jarau, do gaúcho Beto Souza. Na parte da tarde, são exibidos os longas Buenos Aires 100 Km, de Paulo José Meza (Argentina), e Um Dia Sem Mexicanos, de Sergio Arau (México). Paulo Betti é também um dos biografados da nova série da coleção de livros Aplauso, que será lançada na quinta-feira. Os outros biografados dessa fornada da série editada pela Imprensa Oficial do Estado, sob coordenação do crítico Rubens Ewald Filho, são José Dumont, Ilka Soares, Suely Franco e Helvécio Ratton, além dos roteiros dos filmes A Cartomante e O Homem que Virou Suco.

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