Sotaque paulista se acentua no cinema brasileiro

Dos cerca de 30 longas-metragens lançados no ano passado, apenas 5 eram paulistas - Carandiru, Ilha Rá-Tim-Bum, Cristina Quer Casar, Desmundo e Durval Discos. Numericamente é pouco, dada a importância econômica e cultural de São Paulo, mesmo levando-se em conta o enorme sucesso de público de um deles - Carandiru - que levou 4,7 milhões de espectadores ao cinema.O ano de 2004 pode ser bem melhor para os cineastas, e para o público. Nada menos que 14 longas-metragens estão prontos ou em via de finalização para serem lançados. Um deles já entrou em cartaz - o ótimo Narradores de Javé, de Lili Caffé. Os outros estarão nas telas nos próximos meses: Viva Voz, Pelé Eterno, 1,99 - o Supermercado Que Vende Palavras, Como se Faz um Filme de Amor, O Prisioneiro da Grade de Ferro, De Passagem, Nina, Cabra Cega, A Ilha do Terrível Rapaterra, 33, Contra Todos, Garotas do ABC e Quanto Vale ou É por Quilo?Se todos encontrarem espaço no circuito (o que não se pode garantir de antemão), 2004 será excepcional para a cinematografia de Sampa. Toni Venturi, diretor de Cabra Cega, filme sobre a guerrilha urbana que ele pretende lançar em setembro durante a Semana da Pátria, também acha que o cinema da cidade atravessa um bom momento. "Isso se deve ao surgimento de uma nova e criativa geração de realizadores, como Beto Brant, Lais Bodanzky, Fernando Meirelles, Tata Amaral, Cao Hamburger, Lili Caffé, Ricardo Elias, Anna Muylaert, Aurélio Michiles, Lina Chamie e Marcelo Masagão", diz.Venturi, que é também vice-presidente da Apaci (Associação Paulista de Cineastas) entende que outro fator importante é que o cinema paulista não tem se restringido aos chamados "filmes-cabeça", mas apostou em títulos que dialogam com o público, como foram os casos de Carandiru e Bicho de Sete Cabeças.

Agencia Estado,

03 de fevereiro de 2004 | 11h19

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