Sônia Braga está em "Império", novo sucesso latino

O cineasta mexicano Alfonso Cuarón é um dos responsáveis pela nova onda de sucesso do cinema latino nos EUA. Após o lançamento de seu road movie E Sua Mãe Também, em março de 2002, o apetite do público americano por produções latinas como O Crime do Padre Amaro (a transposição do romance de Eça de Queiróz para o interior do México) e Real Woman Have Curves (sobre uma latina gordinha e seu conflito com a família de imigrantes em Los Angeles) foi estimulado. Nenhum desses filmes, porém, teve mais investimento e sucesso de caixa como o longa Império (Empire), que chega hoje aos cinemas brasileiros. Estrelado por John Leguizamo e com participações especiais de Sônia Braga, da bond girl Denise Richards, do rapper Fat Joe, de Nestor Serrano e Isabella Rossellini (cast chamado pelo crítico do New York Times de um dos mais bizarros dos últimos tempos), Império rendeu US$ 17 milhões no mercado americano, desde seu lançamento no começo de dezembro. O filme acompanha a história de um lorde latino de drogas, Victor Rosa (Leguizamo), que construiu uma pequena fortuna vendendo a droga que dá título à produção e sub-produto da heroína. Por acreditar que controla uma média empresa com destreza de management e não um negócio ilícito, Rosa decide investir pesado em Wall Street, passando rapidamente do gueto em que cresceu, no bairro barra-pesada do South Bronx, para o glamour e a sofisticação dos ricos da Baixa Manhattan. Trata-se do primeiro lançamento da Arenas Entertainment, produtora especializada em filmes para público hispânico e que, no ano passado, passou a ser abrigada por um grande estúdio: no caso, a Universal Pictures. Por viver a dualidade da miscigenação latina e negra, Reyes quis rodar Império com elenco diversificado. "No Harlem, onde cresci, a gente ouvia Tito Puente num lado da rua e Run MDC no outro." Império levou seis anos até seu lançamento e nasceu das lembranças do diretor, crescendo no Bronx. "Em meu bairro, você tinha duas maneiras de ganhar a vida: ou fazia US$ 3 mil por dia vendendo drogas ou ganhava US$ 400 por semana trabalhando honestamente." Esse universo também provocou ressonância em Leguizamo, que cresceu em Jackson Heights, no Queens, e emprestou seu nome como produtor para o dinheiro sair mais rápido. "Minha ambição era criar a imagem do verdadeiro gângster latino e depois desmistificá-la", explica o ator à Agência Estado. "Cresci vendo as pessoas fazendo seus negócios e, como tinha medo delas, passei a respeitá-las", prossegue. "Mas, em minha vida adulta, o sentimento era de repúdio pela conduta deles. O filme consegue passar essa dualidade." O convite para Sônia Braga partiu de Reyes, que chama a atriz brasileira de "o corpo". Sonia disse que topou fazer o filme para contracenar com Leguizamo, um dos atores que ela mais admira atualmente. E, por sua vez, Leguizamo, que é colombiano, sugeriu Isabella para fazer um chefona com negócios em Medellín. "Sonia e Isabella surpreenderam todo mundo no set ao criar duas grandes peruaças. Ainda estou tendo pesadelos com as unhas pontiagudas de uma e a juba loira da outra."

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