Warner Bros
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Sombrio e claustrofóbico, 'O Iluminado' coloca nas telas o mais kubrickiano dos temas

Clássico do terror ganha reexibição nos cinemas nesta terça, 29, e sequência no dia 7 de novembro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2019 | 11h51

Véspera de Halloween – as bruxas andam soltas. Cuidado com os mortos-vivos dispostos a comer seu cérebro, mas ria com eles em Zumbilândia – Atire Duas Vezes, em exibição nas salas. Nelas também volta nesta terça, 29, o clássico O Iluminado. O autor do livro nunca gostou do filme de Stanley Kubrick, e até fez sua versão de The Shinning. Dane-se Stephen King, malgrado seus numerosos admiradores. Se é verdade que Kubrick sempre quis fazer a obra-prima definitiva de cada gênero em que trabalhou, conseguiu. O terror de O Iluminado é 10.

O filme volta como parte de uma campanha de aquecimento muito bem orquestrada pela produtora e distribuidora Warner, que lança na semana que vem - em 7 de novembro – a sequência de O Iluminado. Doutor Sono passa-se 40 anos depois dos eventos descritos no filme e mostra o garoto, Danny, agora adulto (Ewan McGregor), de volta ao hotel em que teve de enfrentar o próprio pai enlouquecido para sobreviver. Rememorando – na trama de O Iluminado, Jack Nicholson, como Jack Torrance, leva a mulher, Wendy (Shelley Duvall) e o filho Danny (Danny Lloyd) para um hotel nas montanhas. O Overlook fica fechado no inverno, e Jack, contratado como caseiro, pretende aproveitar o período de isolamento para escrever um livro.

No imenso hotel deserto, coisas estranhas começam a ocorrer. Danny, o iluminado, começa a ter visões de assassinatos sangrentos que ocorreram no local. O Overlook é habitado por fantasmas? Andando de carrinho pelos corredores, e a câmera rente ao chão cria momentos alucinantes ao acompanhar o movimento, Danny tem visões como a das gêmeas. Quem são? Seu pai enlouquece, e o livro vira a repetição truncada da mesma frase. Nos corredores, ecoa o grito sinistro de Nicholson – 'Aquiiii está Johnny!” A mãe é a última a sucumbir aos clima estranho, mas consegue salvar-se (e ao filho).

O décor do hotel é impressionante e cheio de signos – detalhes – que remetem a organizações secretas como a maçonaria. Existe um documrentário, baseado na teoria da conspiração, que levanta a questão – é lenda urbana que Kubrick, no pós 2001, Uma Odisseia no Espaço, teria encenado para a Nasa a descida do homem na Lua e, depois, assombrado pelo segredo, tentara revelá-lo por meio de sua obra. Por bobagem que isso seja, faz parte da lenda kubrickiana. E o filme é grandioso – a cena da despensa, que evoca Alfred Hitchcock e o local em que Norman Bates (Anthony Perkins) escondia a 'mãe' em Psicose, o labirinto em que Jack caça o filho para matar. O Iluminado é sombrio, claustrofóbico. An experiment in fear, uma experiênbcia de medo (e terror). Toda essa fantasia coloca nas telas o mais kubrickiano dos temas – a dissolução da palavra como elo que une os homens. E levanta a questão preparatória para Doutor Sono – por que Danny, adulto, estará voltando ao sinistro Hotel Overlook?

Stephen King nunca gostou das liberdades que Kubrick tomou com seu livro e, em 1997, colaborou com Mick Garris na produção que transformou O Iluminado em minissérie. Tomando o livro ao pé da letra, o projeto não teve nem de longe a repercussão da obra de Kubrick. Mas os admiradores do rei Stephen vão adorar saber que o terror do escritor e cineasta será tema de uma retrospectiva no CCBB, que acontece entre os dias 30 de outubro e 25 de novembro e reúne mais de 40 filmes inspirados na obra do autor.

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