Soderbergh testa o sistema de Hollywood com seu novo filme

Quem irá pagar para ir ao cinema e ver um filme que sairá na mesma semana em DVD e na televisão? É isso que o transgressor Steven Soderbergh quer comprovar com a estréia de seu novo filme Bubble.A fita, rodada em câmera digital custou US$ 1,6milhões de dólares e estreará somente em 36 salas em todo os Estados Unidos. O resto dos cinemas se negou a projetar um filme que, ainda hoje, será exibido na TV em um canal por assinatura e estará disponível, na terça-feira em DVD.Trata-se de uma grande diferença em relação às 3.290 salas americanas que, há pouco mais de um ano, disputavam para exibir a estréia de Onze Homens e Outro Segredo, também do diretor.O diretor demonstrou que o cinema independente pode ser comercial, com Sexo, Mentiras e Videotape e que o cinema comercial pode ter qualidade, prova disto é o Oscar de melhor direção por Traffic e a estatueta que, a mais comercial das atrizes, Julia Roberts obteve por Erin Brockovich.Sua nova batalha é contra o sistema de distribuição, em sua opinião obsoleto, que domina Hollywood e o mundo do cinema : "É um sistema que deve ser redesenhado desde a raiz" afirmou ele à rede de TV americana CBS na estréia de Bubble..Sua proposta é simples: deixar que o público decida como, quando e onde deseja ver o filme que quiser e responde às rápidas mudanças que ocorre no audiovisual que permitem ver um filme tanto em um cinema quando na telinha de um I-Pod.Soderbergh não é o primeiro que rompe com o sistema que impera há 25 anos, em que o filme primeiro sai nos cinemas e depois se torna disponível em DVD e em seguida na televisão.Há pouco mais de um ano, o filme de Penélope Cruz Noel fazia o mesmo, com uma limitada estréia nos cinema, teve sua exibição duas semanas depois no canal TNT e a venda em DVD pela internet.O sucesso comercial do filme foi tão limitado que nem suas cifras oficiais de arrecadação foram divulgadas. A estréia de Bubble sofreu críticas de muitos cineastas como Tim Burton, que achou um "absurdo" e M.Night Shyamalan, diretor de sucessos como O Sexto Sentido, foi ainda mais longe, dizendo que sem a exibição nos cinemas não haveria filmes.

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