Soderbergh e a tropa revolucionária de 'Che' agitam Cannes

Sessão histórica do filme sobre a saga do líder argentino ocorreu em três salas ao mesmo tempo

Flavia Guerra, enviada especial,

08 de maio de 2021 | 22h53

4h28 minutos foi o que Steven Soderbergh gastou para contar a saga de Che Guevara no cinema. O filme foi a atração desta quarta-feira na Croisette. Quarenta anos depois da morte de Che na Bolívia, Che (o filme), tem no elenco nomes como Benício Del Toro (no papel do revolucionário), Rodrigo Santoro (no papel de Raul, irmão de Fidel Castro), Catalina Sandino Moreno, Demián Bichir (no papel de Fidel Castro), Jorge Perugorria (como Joaquin) entre outros.   Veja também: Acompanhe a cobertura no blog do Merten   Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes  Galeria de fotos do Festival de Cannes  Filme de Clint Eastwood é ovacionado no Festival de Cannes 'A Festa da Menina Morta' nasce bem no Festival de Cannes Rodrigo Santoro chega para estréia de 'Che'   A sessão foi histórica e ocupou, ao mesmo tempo, três salas do complexo do festival. O Palais recebeu a equipe do filme e convidados (entre eles, a cantora Madonna) para a sessão de gala, as sala Debussy e Bazin abrigaram jornalistas e profissionais da área. A exibição foi tão longa que contou com um intervalo e até mesmo lanchinhos foram servidos aos espectadores. Uma sacolinha de papelão com a logomarca do filme (recheada com um sanduíche, uma garrafa d´água e um chocolate) foi distribuída para os cinéfilos que agüentaram a longa jornada guerrilha adentro.   No fim da sessão, que começou as 18h30 e terminou depois das 23h, os espectadores não se decepcionaram. A grande maioria aprovou a forma escolhida por Soderbergh (diretor de, entre outros, Traffic) para contar a história do argentino que foi um dos líderes da Revolução Cubana e sonhava em libertar toda a América Latina do julgo imperialista norte-americano nos anos 50 e 60.   No circuito de cinema, a primeira metade do longa será lançada em outubro. A segunda, chega às telas em novembro. Fruto de um trabalho de pesquisa que durou sete anos, a primeira parte conta desde toda a formação do exército revolucionário cubana até a tomada do poder por Fidel e Che, depondo o então líder cubano, e ditador, general Fulgencio Batista.   A segunda parte revela todos os passos de Che após a tomada de Cuba, quando embarcou para a Bolívia a fim de dar continuidade ao plano de transformar a América Latina em um território livre. Che encontra na Bolívia muito mais que a resistência do governo vigente. Encontra também um povo ignorante (no sentido estrito da palavra) que, como ele bem define, "acreditava em mentiras" e não apoiou sua presenças e a de suas tropas revolucionárias como o povo cubano havia aprovado anos antes. Sem apoio popular e encurralado pelos perseguidores, Che e seu exército de guerrilha perecem em um território hostil.   Sem apelar para o melodrama, mas também sem construir necessariamente uma dramaturgia muito profunda, Soderbergh conta a saga de um dos maiores símbolos da resistência política e cultural da América Latina (e do mundo ocidental) de uma forma sóbria e quase documental. "Quarenta anos depois de sua morte, ainda ha muitas razoes por que Che continua sendo um símbolo muito forte hoje. Ele é uma imagem clara da rebeldia juvenil e do idealismo. E eu acho que estes valores são eternos. Não estamos interessados na política atual do mundo e de Cuba, mas sim na história que este mito representa. Somos cineastas fazendo um filme sobre um período muito específico da História visto pelo ponto de vista de Che", comentaram o diretor e a produtora Laura Bickford.   Na quinta, é a vez de Soderbergh e equipe conversarem com a imprensa. A barulhenta passagem da tropa de Che pela Croisette está apenas começando.

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