Annie BIRCH / Annie BIRCH personal collection / AFP
Annie BIRCH / Annie BIRCH personal collection / AFP

Sobre Woodstock, ‘Summer of Soul’ é favorito a levar o Oscar de melhor documentário

Produção concorre com o brasileiro 'Onde Eu Moro', de Pedro Kos

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

26 de março de 2022 | 05h00

Não é só o casal de cineastas indianos Rintu Thomas e Sashmit Ghosh que está fazendo história no Oscar de documentário, inscrevendo a Índia, pela primeira vez, na disputa do prêmio da categoria, com Escrevendo com Fogo. Independentemente de ganhar, ou não, o dinamarquês Jonas Poher Rasmussen já conseguiu um feito nunca visto na história da Academia. Seu longa Flee – A Fuga conta, em primeira pessoa, a história de um refugiado. A excepcionalidade de Flee liga-se ao fato de que foi selecionado em três categorias, concorrendo como melhor documentário, melhor animação e melhor filme internacional. 

Cinéfilo de carteirinha já sabe, talvez já tenha visto. Flee integrou a programação do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade no ano passado. Será distribuído no Brasil pela Diamond. Ainda sem data de exibição, a distribuidora só informa que não se chamará A Fuga. Os demais documentários indicados são o belíssimo

Summer of Soul, de Questlove, que resgata o festival de música afro-americana que se realizou simultaneamente com o de Woodstock, em 1969; Ascension, de Jessica Kingdon, que investiga a divisão de classes na sociedade chinesa; e Attica, de Stanley Nelson e Traci A. Curry, sobre a chacina de presos na penitenciária norte-americana, em 1971. 

A tragédia de Attica já teve versões ficcionais por John Frankenheimer e Marvin Chomsky. A nova versão utiliza material inédito de arquivo, somado a entrevistas com os últimos sobreviventes ainda vivos. Summer of Soul é um daqueles achados raros. Os registros filmados do Harlem Cultural Festival de 1969 foram localizados num porão, em estado precário. Integrante do grupo de hip-hop The Roots, Questlove – multi-instrumentista, produtor e jornalista musical, além de DJ – recuperou o material e assina a realização. O filme vai além do registro da música e documenta as mudanças comportamentais da população negra, à luz do movimento por direitos nos anos 1960. 

 

Será o provável vencedor – embora Flee também esteja cotado. Não na categoria de longa, mas de curta, o Brasil concorre ao Oscar de documentário com Onde Eu Moro, de Pedro Kos, sobre a luta por moradia. O curta, ótimo, está na carteira da Netflix.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.