Só elogios para Santoro em "Simplesmente Amor"

Se fosse brasileiro, o filmeSimplesmente Amor ("Love Actually"), que estréia hoje,seria considerado um besteirol muito bem realizado, para opúblico sair do cinema com a alma lavada e acreditando que afelicidade é possível. Mas como o primeiro longa-metragem deRichard Curtis, roteirista de Quatro Casamentos e um Funeral,Bridget Jones e Um Lugar Chamado Notting Hill, é umaprodução inglesa, o produtor Duncan Kenworthy fez longaexposição sobre a necessidade de falar de amor nos dias de hoje,com um realismo que só é comum em filme de denúncia ouviolentos. Foi o que ocorreu na entrevista coletiva que ele e oator Rodrigo Santoro, que participa do elenco estelar (HughGrant, Liam Neeson, Emma Thompson, Colin Firth, Claudia Schifferentre outros), deram na terça-feira no Rio, horas antes de umaestréia de gala. Kenworthy aproveitou para encher Santoro deelogios. "Não estávamos atrás de um tipo brasileiro ou latino,mas do próprio Rodrigo, que havíamos visto em AbrilDespedaçado (de Walter Salles)", contou ele. "Só não podia serum ator londrino porque ficaria difícil acreditar que seupersonagem alimentaria uma fantasia por uma inglesa durante doisanos, como está na história." Segundo o produtor, esse filme nasceu de uma forma poucoconvencional. "Curtis queria falar de amor de uma forma ampla esua primeira idéia foi flagrar essas manifestações de carinhonum aeroporto. Não acreditei que ia dar certo, mas ele me levoulá e, em poucos momentos, me emocionei até as lágrimas",lembrou. "As cenas iniciais e finais foram feitas aleatoriamente com o cinegrafista passando oito horas diárias no aeroporto e oprodutor correndo atrás das pessoas filmadas para conseguir aautorização do uso da imagem. No fim, deu muito certo." Kenworthy repete praticamente a mesma equipe técnica e oelenco de seus outros filmes de sucesso e explica que essaprática torna o trabalho mais fácil e prazeroso. Mas é aprimeira vez que o galã Hugh Grant, que vive umprimeiro-ministro inglês atrapalhado, teve um personagem criadoespecialmente para ele. Tal como outras estrelas do elenco, suahistória é entrecortada pelas outras, tal como ocorre comRodrigo Santoro. Nosso galã aparece menos tempo que os astrosinternacionais, mas pôde mostrar que é bom ator. "Eu tive depassar uma emoção contida, em cenas com pouco texto e curtas.Para isso, foi fundamental a ajuda de Laura Linney (seu par nahistória), que se entrosou comigo logo no início." Rodrigo conta que, após participar, nos Estados Unidos,de "As Panteras Detonando" ("Charlie´s Angels II"), um filme deação, ele estava curioso e temeroso de trabalhar na Inglaterra."Temia representar em outra língua e o famoso humor inglês.Minhas dúvidas acabaram logo, pela acolhida e o profissionalismodeles", elogiou. "Aqui também temos tudo isso, pois há enormestalentos no cinema brasileiro. Só falta investimento." Ele tem recebido propostas fora do Brasil, mas o únicocompromisso para 2004, até agora, é o filme A Dona da História adaptação da peça que João Falcão fez para Marieta Severo hácinco anos. De qualquer forma, garante que não deixa o Brasilpara uma carreira internacional. "Sair de vez em quando paratrabalhar é ótimo, mas é aqui que gosto de morar", declarou ele.Ao que Kenworthy acrescentou. "Isso acontece também naInglaterra. Se alguém faz um filme nos Estados Unidos todo mundoquer saber se essa mudança é definitiva", contou ele. "Mas oRodrigo será sempre bem-vindo em nossos filmes futuros."

Agencia Estado,

05 de dezembro de 2003 | 18h25

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