Snow Cake abre um diversificado Festival de Berlim

O filme Snow Cake, de Marc Evans, com Sigourney Weaver no papel de uma mulher autista e Alan Rickman como um homem traumatizado por um acidente de carro, abrirá amanhã o Festival de Cinema de Berlim e dá a partida à exibição dos 19 filmes em competição entre os 360 que passarão pelas telas do Festival.Dieter Kosslick, diretor do Festival de Berlim, acredita que um bom festival precisa ser variado. Em seu quinto ano no cargo, incluiu na receita da competição pitadas de política, sexo, dramas pessoais, intimidade e, naturalmente, espetáculo.Os mais esperados são os sete filmes fora de competição que fazem parte da seleção oficial como Capote, Syriana, e ainda V de Vingança, de James McTeigue, com Natalie Portman, e The New World, de Terrence Malick.O diretor francês Michel Gondry exibirá ainda The Science of Sleep, com o mexicano Gael García Bernal, e Chen Kaige trará Wu Ji (traduzido para o inglês como The Promise).The Road to Guantánamo, de Michael Winterbottom (Urso de Ouro 2002, com In this World), e os iranianos Offside, de Jafar Panahi, e Zemestan, de Rafi Pitts, são as apostas mais políticas para Kosslick.O mestre Claude Chabrol transformará Isabelle Huppert em juíza de um escândalo em L´ivresse du pouvoir, e a estreante bósnia Jasmila Zbanic, apresentará um drama sobre os estupros como arma de guerra, em Grbanica.O alemão Oskar Roehler mostrará sexo em altas doses com sua versão de Elementarteilchen do romance Partículas Elementares, de Michel Houellebecq.Já os dramas pessoais são o prato principal de Candy, de Neil Armfield, sobre um casal de viciados em heroína, e de El Custodio, do estreante argentino Rodrigo Moreno, sobre as pressões da vida de um guarda-costas.Serão exibidos ainda a comédia A Prairie Home Companion, com Woody Harrelson e Meryl Streep, do veterano Robert Altman, e o drama Find me Guilty, de Sydney Lumet, sobre o mais longo julgamento dos EUA contra a máfia, com Vin Diesel.Nesta edição do Festival de Berlim, o cinema alemão, além do filme de Roehlers, estará representado por Réquiem, de Hans Christian Schmidt; Der freie Wille, de Matthias Glasner, e Sehnsucht, de Valeska Grisebach.Os outros representantes europeus são o italiano Michele Placido com Romanzo criminale e a estreante dinamarquesa Pernille Fischer Christensen, com En Soap.O cinema asiático está representado pelo chinês Isabella, de Pang Ho-cheung, e pelo thriller tailandês Invisible Waves, de Pen-ek Ratanaruang.A Festival de Berlim cumprirá este ano amplamente a regra de que, quem quiser ver bom cinema, não deve se contentar com a seleção oficial. A mostra Panorama, que começa com Derecho de Familia, do argentino Daniel Burman (Urso de Prata 2004 com O Abraço Partido), exibirá ainda Café da manhã em Plutão, de Neil Jordan, e A Passagem, de Marc Foster, com Ewan McGregor.A seleção Festival de Berlim Especial trará as estréias mundiais de A Festa do Bode, de Luis Llosa, baseado na obra homônima de Mario Vargas Llosa, e do curta My Dad is 100 years old, dirigido e estrelado por Isabella Rossellini, que se inspirou em seu pai, Roberto Rossellini.Entre as curiosidades da mostra Panorama está Bye Bye Berlusconi, do alemão Jan Henrik Stahlberg, sobre uma equipe que decide rodar, em Gênova, um filme sobre o seqüestro do primeiro-ministro da Itália.Nos dez dias de festival, opções não faltarão. A mostra termina no sábado, com a projeção de Pat Garrett - Billy the Kid, de Sam Peckinpah, e a distribuição dos prêmios. Para conquistar audiência, pela primeira vez a divulgação dos ganhadores será na festa, ao vivo, e não em entrevista coletiva anterior, como até ano passado.Até lá, 360 filmes terão sido apresentados nas mostras de Panorama, Fórum, Festival de Cinema Infantil e na retrospectiva sobre Mulheres de Sonho- Estrelas dos anos 50. Também serão entregues os Ursos de Ouro de Honra ao diretor polonês Andrzej Wajda e ao ator britânico Ian McKellen.Outros homenageados serão Michael Ballhaus, que foi o cinegrafista preferido de Rainer Werner Fassbinder; Laurence Kardish, promotor do cinema alemão nos EUA; e o diretor Jürgen Boettcher, representante da "dissidência" da Alemanha Oriental.

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