Charles Sykes/Invision/AP
Charles Sykes/Invision/AP

'Sniper Americano' acerta em cheio na bilheteria, mas divide opiniões nos EUA

Filme de Clint Eastwood com Bradley Cooper tem estreia prevista no Brasil para 19 de fevereiro

EFE

23 Janeiro 2015 | 16h13

Sniper Americano, o filme de Clint Eastwood sobre o franco-atirador Chris Kyle, bateu recordes de bilheteria, mas acima de tudo semeou o debate e a polêmica pelo elevado tom patriótico que rendeu comparações até mesmo com a "propaganda nazista".

Protagonizado por Bradley Cooper, o filme arrasou na bilheteria americana durante o fim de semana estendido, devido ao feriado do Dia de Martin Luther King na segunda-feira, com US$ 107,3 milhões. Os números representam a melhor estreia da história para um filme não associado a uma franquia de Hollywood.

A melhor marca anterior correspondia aos US$ 83,8 milhões faturados por A Paixão de Cristo, dirigida por Mel Gibson, em 2004.

Essa também é a melhor estreia na carreira de Eastwood, a melhor já registrada no mês de janeiro e a melhor da história para um drama.

"Trata-se de um fenômeno cultural. Se tivessem me falado que alcançaríamos esses números, teria respondido que estavam fumando algo. É o primeiro filme sobre um super-herói 'real'. Funcionou bem em cada mercado, desde a menor cidade até as maiores", disse o chefe de distribuição doméstica do estúdio Warner Bros., Dan Fellman.

O sucesso foi ajudado pela empresa de pesquisas de audiência CinemaScore, líder no setor, que atribuiu uma nota alta ao filme após coletar as opiniões dos espectadores. Além disso, a Academia de Hollywood indicou a produção à disputa em seis categorias do Oscar, incluindo melhor filme e melhor ator.

O filme pulverizou as estimativas que apontavam para uma arrecadação de US$ 45 milhões a US$ 50 milhões em sua chegada às salas de todo o país, após uma estreia limitada em Los Angeles, Nova York e Dallas.

Sniper Americano conta a vida de Chris Kyle, que entre 1999 e 2009 matou pelo menos 150 insurgentes no Iraque como integrante dos SEAL, unidade de elite da Marinha americana, mas sua missão mais complicada o afastou de vez da esposa Taya (Sienna Miller) e dos dois filhos pequenos, que ficaram em casa enquanto o atirador de elite foi absorvido pela guerra.

É a partir disso que começa a dúvida se esse filme conseguirá conquistar algum Oscar na premiação do dia 22 de fevereiro, já que o projeto não conquistou os corações de todos em Hollywood.

"Sniper Americano me lembra um pouco o filme que foi mostrado no terceiro ato de Bastardos Inglórios", escreveu no Twitter o ator Seth Rogen.

O filme ao qual o humorista se referia é Stolz der Nation, uma obra fictícia de propaganda nazista, onde um franco-atirador alemão assassinava soldados aliados de uma torre.

Mais tarde, Rogen recuou e disse que gostou de Sniper Americano, ressaltando que apenas se "lembrava" da cena ao ver o filme, sem querer entrar em comparações.

Quem também se pronunciou foi o polêmico cineasta Michael Moore, conhecido pelos documentários Tiros em Columbine (2002) e Fahrenheit 9/11 (2004).

"Meu tio foi assassinado por um franco-atirador na Segunda Guerra Mundial. Nos ensinaram que os franco-atiradores eram covardes, que vão te atirar pelas costas, não são heróis. E os invasores são piores", escreveu Moore no Twitter, causando grande polêmica. Horas depois, Moore disse que não se referia à obra de Eastwood, e sim à comemoração do Dia de Martin Luther King (terceira segunda-feira de janeiro), que foi assassinado por um franco-atirador.

Em seu perfil de Facebook, o cineasta criticou que Eastwood confunda "o Vietnã com o Iraque ao contar a história" e que faça com que os personagens "chamem os iraquianos de selvagens ao longo do filme".

O debate se estendeu até as redes sociais, onde se põe em dúvida que Kyle, considerado um "assassino" por alguns, seja merecedor de tanta atenção.

Segundo o site especializado TheWrap, nas últimas horas circulou entre os acadêmicos um artigo da revista The New Republic no qual o filme é criticado por ter transformado Kyle em um herói.

No texto há frases do atirador de elite procedentes do livro Sniper Americano, como: "Os inimigos são selvagens e depreciavelmente maus", e "Meu único arrependimento é não ter matado mais".

A polêmica está servida, como mostra o grande cartaz do filme que amanheceu na terça-feira em Los Angeles acompanhado por uma pichação, com letras vermelhas, com a mensagem: "Assassinato!".

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