Snic quer conciliação de produtores e exibidores

A conciliação entre produtores, distribuidores e exibidores, sob a supervisão do governo é a meta do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica (Snic), cuja diretoria tomou posse na terça-feira passada, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Foi uma posse sem discursos ou cerimônias, até porque há uma continuidade de administração. Dulce Continentino assume a presidência pela terceira vez, Bruno Stroppiana (Estorvo) volta à 1ª vice-presidência e Marisa Leão (Canudos) reassume a 2º vice-presidência, numa diretoria com 35 cargos, para contemplar todas as tendências e setores da produção cinematográfica, de diretores a donos de estúdios e equipamentos, de produtores a laboratórios. Apesar disso e da presença dos representantes dos exibidores, Ugo Sorrentino, e dos distribuidores, Jorge Pelegrino, apararam arestas."Ninguém está negando conflitos, mas encontramos um ponto de convergência e um fórum de debate de nossos problemas", avisou Mariza Leão. "O fundamental é que, através do nosso sindicato, negociamos com os distribuidores e exibidores nossas diferenças e semelhanças e apresentamos uma proposta ao governo, no lugar de esperar uma decisão de cima para baixo."Mariza se referia à cota de tela (dias em que a exibição de filmes nacionais é obrigatória) a ser proposta à Secretaria de Áudio-visual do Ministério da Cultural assim que todos sindicatos da área homologarem. Para Sorrentino, os três setores da indústria (produção, distribuição e exibição) têm que lutar pelo crescimento do mercado, que hoje é calculado em 7,5 milhões de pessoas, consumindo 70 milhões de ingressos por ano. "É menos de 5% da população indo menos de uma vez por mês ao cinema", contabilizou o líder dos exibidores. É preciso também adaptar-se ao mercado, especialmente aos cinemas multiplex, influência americana. "O multiplex é o McDonald e o cinema de rua é a delicatessen", explicou Sorrentino. "É muito bom contar com um lance rápido a cada esquina, mas quem quer acarajé, ou algo especial, vai à delicatessen."Se o discurso do exibidor não se choca com o dos produtores, há divergências entre estes. Dulce Continentino, uma documentarista que trabalha mais para o exterior que no Brasil, acha que a saída para o cinema é a televisão e a mudança das relações trabalhistas. "Com exceção de Hollywood, o cinema sempre depende da televisão e no Brasil não pode ser diferente", disse ela. "Precisamos romper os laços trabalhistas porque cada profissional deve ter sua empresa e nós merecemos não pagar 60% do salário deles como impostos."Mariza Leão amplia a questão. Ela lembra que a produção nacional caiu, como já fora previsto, mesmo com as leis de incentivo. "O que precisamos é melhorá-las, ampliá-las e, ao mesmo tempo, ter uma política pública de fomento ao setor, com exibidores, produtores e distribuidores atuando equacionados com o governo."

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