"Sininho" fala sobre "Peter Pan" e sua carreira

Bastou a francesa Ludivine Sagnier filmar nua para ser chamada de a nova Brigitte Bardot. "Só espero não envelhecer como Bardot, que se tornou uma pessoa amarga", diz a atriz de 24 anos, dona de curvas que os diretores não resistem em explorar nas telas. Capaz de incendiar a imaginação dos homens, a loira de cabelos longos e estrategicamente despenteados chega hoje aos cinemas brasileiros com dupla exposição. Apresenta uma versão mais maliciosa e vingativa da personagem Sininho na última adaptação do clássico Peter Pan. E também mostra por que se tornou um símbolo sexual na França após ter tirado a roupa em Swimming Pool ? À Beira da Piscina. Vista aos 11 anos em Cyrano de Bergerac(1990), a jovem nascida em La Celle-Saint-Cloud diz se preocupar mais em se satisfazer como atriz do que em se firmar como estrela. Foram cinco novos filmes rodados só no ano passado ? além de Peter Pan e Swimming Pool, Ludivine reforçou o currículo com Petites Coupures, La Petite Lili e La Légende de Parva. "Não tive problemas ao fazer a transição da adolescência à fase adulta no cinema. De repente, a platéia passou a me ver como mulher", conta a atriz durante entrevista concedida em suíte do hotel Four Seasons, de Beverly Hills. Leia, a seguir, os principais trechos.estadao.com.br - Como encara a comparação com Brigitte Bardot?Ludivine Sagnier - É lisonjeador, ainda que eu não seja fã da atriz. Principalmente depois que ela se casou com um homem racista e só fala bobagem. Disse recentemente na televisão que quanto mais ela conhecia o filho, mais gostava do cachorro. Eu quero amadurecer e envelhecer com inteligência. Também espero não ficar aprisionada a um único personagem. Talvez Bardot tenha se tornado tão odiosa por ter sido escrava de uma imagem.Por isso você alterna personagens como Julie, a jovem sexy de "Swimming Pool", com Sininho, uma figura do universo Disney?Sim. Enquanto Sininho me deu a chance de explorar a minha faceta mais moleca, Julie trouxe à tona a minha sexualidade. Eu quero ser livre para interpretar um infinidade de mulheres, sempre com personalidades distintas umas das outras.Encarou o fato de Sininho não ter falas em "Peter Pan" como uma vantagem ou desvantagem?A vantagem foi que não precisei decorar as minhas falas (risos). Mas não me senti em desvantagem e sim desafiada pela necessidade de me expressar sem usar palavras. A performance ainda me abriu as portas ao cinema mudo, um universo que eu até então desconhecia.Buscou inspiração nos desenhos para compor Sininho?Até certo ponto sim. Quando era adolescente, fiz dublagem de filmes e principalmente de desenhos americanos para a TV francesa. Ao dublar animais, você faz caretas indescritíveis (risos). Antes de rodar Peter Pan, ainda fiz questão de testar muitas dessas expressões faciais com a minha sobrinha, de 8 meses. Como Sininho seduz Peter Pan quando ele ainda é um bebê, eu precisava sentir que era capaz de me conectar com uma criança sem abrir a boca.Sentiu-se intimidada ao retratar uma personagem tão clássica como Sininho?Eu tentei não pensar no alcance de Sininho. Até porque não tenho a pretensão de substituir a imagem que o público tem dela. Só tentei dar a minha visão, fazendo uma composição mais palhaça e maliciosa que a versão da Disney. Sei que não sou tão graciosa quanto a personagem do desenho ou mesmo tão experiente quanto Julia Roberts (que viveu Sininho no longa Hook - A Volta do Capitão Gancho?. Sentia que quanto mais me distanciasse das versões anteriores, melhor."Swimming Pool" é o seu terceiro trabalho com o diretor François Ozon ? depois de "Oito Mulheres" e "Gotas D?Água em Pedras Escaldantes". Pretende retomar a parceria?Como Ozon deu novo fôlego ao cinema francês, eu adoraria. Mas isso dependerá dele. No momento, o diretor está escalando atores para um novo longa-metragem. Gostaria de telefonar como quem quer nada... Mas não posso implorar por um papel.Sente-se tentada a seguir carreira em Hollywood?Não. Prefiro a atmosfera nos sets europeus, onde tudo é mais calmo e em menor escala. Ainda assim, foi curioso participar de uma superprodução como Peter Pan, onde eu ficava suspensa o dia todo por cabos de aço para poder voar. Ainda aprendi a trabalhar com blue screen (tela azul sobre a qual são inseridos os efeitos especiais na pós-produção). Como tive de criar tudo na minha mente, foi um trabalho solitário. Só tinha um ponto de laser que apontava onde estaria a orelha de Peter Pan.Acha que a competição seria maior nos EUA, onde a reciclagem de atores jovens nas telas é ainda mais intensa?Provavelmente sim. Na França, onde a indústria é menor, todos nós nos conhecemos. Há concorrência, mas não sinto que as atrizes se olham como oponentes. Nos EUA, não sei se eu saberia fazer o jogo necessário para ver a minha carreira deslanchar. Prefiro ser independente e evitar as armadilhas. Também não gosto da idéia de perder a noção da realidade ao ser seguida por uma entourage de puxa-sacos.

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