"Signs" é exibido no Festival de Locarno

Esperado com ansiedade pela crítica, a estréia européia do filme Sinais ("Signs"), no Festival Internacional de Cinema de Locarno, do americano de origem indiana M. Night Shyamalan, o mesmo de Sexto Sentido, foi uma decepção. Seu retorno aos disco voadores e extraterrestres, o prato cheio de Hollywood dos anos 50, mesmo com Mel Gibson no papel principal, misturado com premonição paranormal, mais parece publicidade audiovisual de alguma seita. No filme, o retorno de figuras circulares nas plantações, como as fraudulosamente feitas há algum tempo no Reino Unido, antecipam uma invasão de estranhos e grotescos extraterrestes, enquanto o personagem principal, vivido pelo ator australiano, pastor em crise de fé, rejeita qualquer sinal divino, naquelas coincidências que geralmente se chama de sorte. Se, no sábado, o veterano diretor Sydney Pollack dizia que o cinema de Hollywood não é arte e se transformou numa espécie de fast-food, cujos filmes não resistem mais de algumas asemanas, logo a seguir era outro diretor, Gus van Sant, quem desafiava Hollywood com seu filme Gerry, dizendo que Hollywood deveria se preocupar em fazer filmes melhores. Com efeito, seu produtor e ator principal do filme Gerry, o conhecido Matt Damon, provavelmente para compensar as despesas da aventura com o filme de arte, vive um verdadeiro filme americano, ultraveloz, em The Bourne Identity, de Doug Liman, numa experiência militar americana para criar um agente invencível, mostrando, mais uma vez, ser quase impossível encontrar gente normal nos filmes americanos. Melhor em todo caso, que o inglês My Little Eye, de Marc Evans - que inspirado nos Big Brother da televisão mundial, com webcameras flagrando o que fazem alguns jovens fechados num recinto fechado ? simula a existência de um snuff com morte real ao vivo pela Internet.

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