Sidney Lumet volta com tragédia familiar em tom policial

Ação que desencadeia narrativa de 'Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto' é o roubo de uma joalheria

Alysson Oliveira, da Reuters,

08 de junho de 2005 | 11h00

O veterano cineasta Sidney Lumet andava meio sumido das telas brasileiras. Seu último trabalho a chegar aos cinemas do país foi a refilmagem de Glória (1999). Mas com seu recente Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, ele retorna em grande estilo, com um de seus melhores longas, que estréia no país nesta sexta-feira, 6.     Veja também: Trailer de 'Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto' Protagonizado por Albert Finney, Philip Seymour Hoffman e Ethan Hawke, este é um drama familiar que se esconde sob a aparência de filme policial. A trama é apresentada fora da ordem cronológica, com letreiros indicando um período que vai desde quatro dias antes de um assalto até uma semana depois dele. A ação que desencadeia a narrativa é o roubo de uma joalheria. Seria algo até ordinário, não fosse o fato de o golpe ser planejado pelos filhos dos proprietários. Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto é a narrativa de uma descida ao inferno, do ponto de vista espiritual, moral e físico, de uma família aparentemente normal. A grandiosidade com que os temas são abordados - em especial a lealdade e a traição - conduz a um clima sombrio e a questionamentos. O roteiro é assinado pelo estreante Kelly Masterson, um ex-franciscano que parece conhecer bem o conflito entre as coisas mundanas e os dilemas morais. As relações entre os personagens são reveladas aos poucos, expondo uma rede de traições e mentiras dentro da família. Andy (Hoffman) trabalha numa grande empresa imobiliária, mas as coisas não andam muito bem. Um dinheiro extra viria a calhar. Então, ele chama o irmão Hank (Hawke) para ajudar num roubo. Este, porém, fica com medo, e delega a função a um amigo. O alvo é a loja dos pais (Finney e Rosemary Harris). O plano não dá certo e começa então uma cadeia de incidentes que vão, aos poucos, destruindo a família. Ao longo de sua carreira de quase 60 anos, Lumet tornou-se um ícone do cinema, influenciando gerações. Seus grandes trabalhos (Rede de Intrigas, Um Dia de Cão, Serpico) aconteceram especialmente na década de 1970, a maioria deles baseados em histórias reais. Aqui, porém, ele constrói uma ficção povoada de personagens que parecem gente de verdade, embora nenhum deles seja simpático ou tenha o mínimo de altruísmo. Um personagem comenta meio ao acaso que "este mundo é um lugar mau" - não tão ao acaso, essa afirmação é, aos poucos, comprovada. Outra máxima que ganha vida no filme é que "o crime não compensa". Há muito tempo, nenhum filme provava isso com tanta propriedade.

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