Sony Pictures
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'Sicário - Dia do Soldado' mostra as relações na fronteira entre EUA e México

Longa retoma personagens de Benicio del Toro e Josh Brolin

Mariane Morisawa, ESPECIAL PARA O ESTADO

29 Junho 2018 | 06h00

LOS ANGELES - Sicario - Dia do Soldado tem o mesmo mundo, clima e dois atores do filme original de 2015. Mas muita coisa mudou na continuação, a começar pelo diretor: saiu o franco-canadense Denis Villeneuve (Blade Runner 2049, A Chegada), entrou o italiano Stefano Sollima (da série de TV Gomorra). “Demorei até achar um projeto nos Estados Unidos que pudesse ter meu toque”, disse Sollima em entrevista ao Estado, em Los Angeles. “Foi uma transição tranquila. Eu disse que queria fazer meu filme. Estou velho demais para copiar o trabalho de alguém.”

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Emily Blunt não aparece, mas Benicio del Toro, como o advogado Alejandro Gillick, e Josh Brolin, no papel de Matt Graver, o agente americano dado a missões secretas e pouco legais, estão de volta. Segundo Del Toro, “é uma grande oportunidade explorar a evolução do personagem. Ele se reabilita, tem uma consciência, um rastro de consciência pelo menos”. 

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Depois que um grupo de terroristas do Oriente Médio passa pela fronteira entre México e EUA infiltrado como imigrantes latino-americanos e comete um atentado em solo americano, as autoridades decidem fazer uma missão de pressão e retaliação contra um dos cartéis que ganham dinheiro com o transporte pela divisa. Assim, decidem sequestrar Isabel Reyes (Isabela Moner), a filha adolescente do chefe de um cartel - não por acaso o mesmo que assassinou a mulher e a filha de Alejandro. Mas o plano é limitado: Alejandro e Matt vão pegar a menina no México, escondê-la em território americano e depois devolvê-la. Mas claro que as coisas não saem como esperado. “Meu personagem era muito arrogante. Achava que não tinha como perder. Agora Taylor (Sheridan, roteirista) decidiu tirar essa arrogância e destruir suas convicções. No primeiro filme, Emily era a emoção, e meu personagem e de Benicio não. Agora, se não reagirmos emotivamente, fica claro que fazemos parte da máquina. É uma história mais profunda e pessoal do que a primeira, um thriller de mistério”, contou Brolin.

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O filme atua numa zona cinzenta em que os supostos vilões talvez não sejam o que parecem, e os mocinhos também não. Com toda a tensão na fronteira entre México e EUA, os temas abordados estão mais atuais do que nunca.

Para Sollima, tratar de um assunto tão americano sendo estrangeiro não é nada de mais. “Só mudei de paisagem. É a mesma coisa na Itália. É um tópico contemporâneo”, lembrou, referindo-se à crise dos refugiados na Europa. “Nós, italianos, mandamos gente para o mundo todo e agora queremos fechar as portas”, criticou. Mas ele admite que sua perspectiva pode ser um pouco diferente. “Por vir de fora, talvez tenha mais objetividade, seja mais neutro no caso específico americano.”

O cineasta não teve medo de explorar a violência explícita, mas se explicou: “Não gosto da ação pela ação. Mas gosto de colocar um personagem numa situação extrema. Tento não usar violência extrema se não for necessário para a história”.

 

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