'Shortbus' tem sexo explícito e muita provocação

Filme foi exibido fora de concurso em Cannes, há 2 anos, e terminou o evento como um dos mais comentados

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 de agosto de 2028 | 17h37

Exibido fora de concurso no Festival de Cannes, há dois anos, Shortbus teve direito a sessão de gala, com tapete vermelho. E terminou sendo um dos filmes mais comentados do maior festival de cinema do mundo, naquele ano. Na coletiva, após a projeção para a imprensa, o diretor John Cameron Mitchell admitiu que fez Shortbus "com um grau de provocação em mente". Na verdade, muita provocação. Além de os personagens falarem em sexo o tempo todo, eles partem da oralidade para a prática. Shortbus tem sexo explícito, o que é sempre motivo de escândalo. Veja também:Trailer de 'Shortbus'  Exatamente 30 anos antes de Mitchell, o japonês Nagisa Oshima também havia feito Cannes tremer com as cenas de penetração e felação de O Império dos Sentidos. Em anos recentes, o estupro da personagem de Monica Bellucci em Irreversível, de Gaspar Noë, e a provocação sexual de Chloë Sevigny em Brown Bunny, de Vincent Gallo, também fizeram sensação na Croisette. Em ambos os filmes, o sexo era praticado a dois e, no caso de Irreversível, contra a vontade da deslumbrante Monica. No caso de Shortbus, o sexo é grupal e isso talvez tenha aumentado o mal-estar. Embora em ambientes fechados, as imagens de casais, homo e heteros, carregam sugestões do sexo em plena era de ‘paz e amor’ de Woodstock, no documentátrio de Michael Wadleigh. Em Cannes, Mitchell disse que, embora o sexo ainda possa ser chocante para mentes puritanas, para ele foi uma metáfora, de forma a explorar de jeito mais aprofundado outros temas que afligem seus personagens, como amor e medo. Para o diretor, seu filme é fundamentalmente sobre a falta de esperança nos EUA de George W. Bush. "Como não pudemos expulsá-lo em 2004 (quando foi reeleito), muita gente, como eu, direcionou sua frustração para a criação artística." Mesmo quem se sente ofendido com o que considera a grosseria e a vulgaridade de Shortbus reconhece méritos na realização - a riqueza da trilha, por exemplo, ou a forma como Mitchell se utiliza de maquetes para compor seu retrato de Nova York. O par principal é formado por Sook Yun-Lee e Raphael Barker - ela, no papel de uma terapeuta sexual que admite, para si mesma e para os pacientes, que simula seus orgasmos na relação com o marido. Entre os clientes, há um par gay que freqüenta um clube de casais e é lá que a terapeuta termina se envolvendo com uma dominatrix, numa relação sadomasô. A partir daí, o sexo rola solto, mas, como diz John Cameron Mitchell, o sexo é só físico e o que lhe interessa é filmar a emoção humana. Em busca do objetivo, ele improvisou a maioria das cenas com um elenco predominantemente amador.

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