Shirley MacLaine, ganhadora do Oscar, completa 80 anos

Atriz levou prêmio em 1983 por 'Laços de Ternura'

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2014 | 16h50

Shirley MacLaine fez apenas dois filmes com Billy Wilder, e em ambos formou dupla com Jack Lemmon. O espectador que ainda hoje assiste a Se Meu Apartamento Falasse e Irma la Douce é capaz de jurar que nasceram um para o outro - para atuar juntos - e para encarnar os personagens do grande Wilder. Jack Lemmon morreu... Shirley completa nesta quinta, 24, 80 anos - nasceu em 24 de abril de 1934 em Richmond, Virginia. Tem um irmão que se tornou astro de cinema e, além de ator, é também diretor - Warren Beatty. Houve uma fase em que não se suportavam. Sabem como é. Atores têm egos inflados, essa coisa de dividir atenções não lhes cai bem.

 

 

Antes de virar a velhinha excêntrica que hoje escreve livros autobiográficos em que expressa sua crença na reencarnação, Shirley já era um corpo estranho em Hollywood. Quando estreou no cinema, em 1954, dirigida por ninguém menos do que Alfred Hitchcock - O Terceiro Tiro -, tinha apenas 21 anos, mas você era capaz de jurar que era mais velha. Isso não é muito lisonjeiro para se dizer de uma mulher, mas favoreceu a atriz. Ela nunca foi sexy como Marilyn Monroe. Sua qualidade era outra. Muitas jovens da época desapareceram num piscar de olhos. Shirley pôde fazer mulheres mais maduras desde cedo, e isso foi bom.

Seu primeiro objetivo era tornar-se bailarina - e para exorcizar o desejo irrealizado ela fez, anos mais tarde, Momento de Decisão, de Herbert Ross, dividindo a cena com Anne Bancroft. Uma personagem largou a dança para ser dona de casa, a outra seguiu em frente, virou coreógrafa, mas agora, aos 50 anos, é difícil dizer qual delas ficou mais longe do que queria. Nos anos 1950, desistiu do balé para virar atriz. Fez a escolha certa. Participou de algumas peças na Broadway, chamou a atenção de Hollywood e virou contratada da Paramount.

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Os primeiros filmes parecem errados - uma comédia (Artistas e Modelos), um blockbuster (A Volta ao Mundo em 80 Dias, no papel de indiana!), um western (Irresistível Forasteiro, com Glenn Ford). Em 1958, aos 24 anos, foi a Ginny de Deus Sabe Quanto Amei, de Vincente Minnelli, um dos maiores filmes e uma das maiores atuações de todos os tempos - ao lado de Frank Sinatra e Dean Martin. Voltou a trabalhar com os dois, num pequeno papel, em Ocean's Eleven, Onze Homens e Um Destino, a primeira versão, de Lewis Milestone e com Sinatra, sozinha, no musical Can-Can, de Walter Lang.

Voltou ao musical em Charity, Meu Amor, de Bob Fosse, e além dos grandes filmes de Wilder e de um ou outro filme mais ambicioso que, eventualmente, não resultou tão bom - Infâmia, de William Wyler -, fez um monte de nulidades que os críticos descrevem sem dó nenhuma como inferiores ao seu talento. Que talento é esse, por sinal? Não sendo particularmente bela, nem sexy, Shirley sempre foi muito boa na comédia como no drama. Uma tragicômica? Às vezes.

 

 

Em 1979, participou de um filme cult - Muito Além do Jardim, de Hal Ashby, com Peter Sellers como o jardineiro que vira conselheiro do presidente dos EUA. Em 1983, depois de várias tentativas, ganhou seu Oscar por Laços de Ternura, de James L. Brooks. Ninguém reclamou e, pelo contrário, muitos críticos disseram que o prêmio vinha tarde. Continuou filmando, mas ou os papéis encolheram ou aos diretores, mais que Shirley MacLaine, a mulher, a atriz, interessava a persona.

Virou escritora. Acredita em espíritos, em discos voadores. Como diria Wilder, ninguém é perfeito. Como atriz, ela foi. E hoje pode ser vista na série de TV Donwton Abbey.

Uma dúvida? E se seu melhor papel não tiver sido para Wilder nem a Aurora de Laços de Ternura? Em 1969, Shirley MacLaine voltou ao western e fez, com Clint Eastwood, Os Abutres Têm Fome, de Don Siegel. Nunca houve freira mais endiabrada no Velho Oeste, mas havia uma explicação no desfecho. Grande filme, grande atriz. Feliz 80 anos, Shirley!

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