Seymour Hoffman confessava luta contra o vício a traficante músico

Seymour Hoffman confessava luta contra o vício a traficante músico

Saxofonista é um dos quatro suspeitos presos ontem por supostamente fornecer drogas ao ator

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2014 | 18h28

Um saxofonista que já tocou com Mick Jagger, Amy Winehouse, Wyclef, Tom Jones e David Bowie pode ser uma peça central na série de fatos que levaram à morte do ator Philip Seymour Hoffman no último domingo. Ele foi encontrado em um apartamento nova-iorquino com uma seringa ainda em seu braço.

De acordo com o site TMZ, Robert Vineberg pode ser não só um dos traficantes recorrentes utilizados por Hoffman, mas também um confidente. Em conversas, o ator relatava a ele o quanto desejava deixar o vício e dava detalhes sobre seus problemas para enfrentar os períodos de abstinência.

Um informante, que é potencialmente um cliente do mesmo traficante, disse à polícia de Nova York que Hoffman parecia infeliz sempre que contatava Vineberg, e que costumava comprar grandes quantidades de droga de uma só vez em visitas que podiam ocorrer até duas vezes por semana.

O depoimento dessa testemunha anônima gerou um mandado de busca em diversos apartamentos na cidade. Nesta quarta, a polícia realizou a prisão de quatro suspeitos (três homens e uma mulher) investigados por terem fornecido drogas ao ator. Quantidades não divulgadas de maconha e heroína foram encontradas em três apartamentos, e eles agora podem ser julgados por posse de substâncias controladas.

O esforço da polícia de Nova York para determinar a origem das drogas num caso que aparenta ser uma overdose acidental soa estranho. Tribunais costumam determinar que traficantes não são responsáveis pela morte de seus consumidores.

Nas investigações no local em que Hoffman estava, foram encontrados 50 papelotes com pó branco, alguns dos quais continham heroína, mais de 20 seringas e drogas de uso controlado. As autoridades tentam retraçar os movimentos finais do ator, e já descobriu que ele sacou US$ 1.200 em um supermercado perto de sua casa um dia antes de morrer. Também usam filmagens de câmeras de segurança, o computador e dois iPads encontrados na cena para entender melhor o que pode ter acontecido.

Na tarde de quarta, os médicos legistas responsáveis pelo caso comunicaram em nota que a autópsia chegou a resultados inconclusivos e que serão necessários exames de laboratório para determinar precisamente as causas da morte. Não há previsão a divulgação de um relatório final. Provavelmente, o que se aguarda são testes de toxicologia e de tecidos, que são padrão nesses casos.

O histórico de luta do ator contra o vício é de conhecimento público há anos. Em 2006, ele deu uma entrevista à televisão norte-americana dizendo que já usara “tudo em que pôde colocar as mãos”, mas que ficara “limpo” aos 22 anos. Tempos depois, confessou recaídas e chegou a frequentar a reabilitação por conta dos problemas com a heroína

Três meses atrás, o ator saiu de casa a pedido de sua parceira Mimi O’Donnel. Ela não queria que os filhos do casal (de 10, 7 e 5 anos) “vissem o pai preso por conta da heroína”. Assim, concordaram que ele se mudaria até que pudesse manter-se sóbrio.

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