Sesc exibe documentário que mostra cotidiano no Iraque

"Eles têm permissão para filmar oIraque e mostrar isso com uma perspectiva diferente naAustrália", diz o assistente do diretor Wayne Colle Janes que,com permissão para andar e registrar livremente a intimidade deum território tido por muitos como inimigo, conseguiu realmentefazê-lo sob uma perspectiva incomum, o das pessoas comuns. Eisto não é pouco. "Graças a Deus!", responde o senhor queconversa coma a equipe. Um homem qualquer, que queria tocar avida antes de a guerra assolar o Iraque, em 2003. Tão comum comotantos outros que continuaram tocando suas vidas depois de verseu país ser praticamente destruído semanas depois. E isto estáregistrado em Na Sombra das Palmeiras, documentário que seráexibido nesta sexta-feira no último Encontros Sesc Videobrasil, às 20horas. O diretor australiano Colle Janes estará presente àsessão e participa de debate com o público logo após a exibição. Assim como a grande massa de cidadãos ocidentais, ColleJanes pouco sabia sobre o povo iraquiano antes de viajar para opaís. "Minha motivação era abordar o tema de uma forma humana,pessoal. A única representação que a mídia ocidental tem doOriente Médio são homens agressivos gritando ´Jihad, Jihad?(Guerra Santa)", conta Janes. E o diretor revela que esta ?Guerra Santa? não énecessariamente a palavra proferida por grupos armados.Registrando sozinho suas imagens, Janes contava apenas com oscolaboradores, que o auxiliavam a se virar num país em que falaringlês podia significar a morte. Mas, graças a essa liberdade,Colle Janes teve o privilégio de filmar cenas como um grupo degarotas que assistiam a uma aula de inglês. A professorapergunta: Vocês têm medo da guerra? Elas respondem: "Não! Amamosnosso país e estamos prontos para defendê-lo." Ao contrário daimagem que muitos têm das iraquianas, nessa sala elas sãomuçulmanas, que se sentam ao lado de católicas e aprendem, eminglês, primeiros-socorros que serão necessários três semanasdepois, quando a guerra finalmente começa. Janes faz essa contagem regressiva do terror. Eleacompanha sucessivamente essas garotas, um motorista de táxi quetem também como missão educar seus jovens alunos de luta livre,uma família que faz a festa de aniversário de seu filho, umgrupo de senhores que se reúne há décadas no Caffe Brazilian. À sombra das palmeiras, mais assombroso que a guerra, játão banalizada nos noticiários, é constatar que os iraquianos,armados ou não, só estão querendo viver. Encontros Sesc Videobrasil. Unidade Provisória Sesc AvenidaPaulista. Av. Paulista, 119, Bela Vista, telefone (11) 3179-3700 Amanhã, 20 horas. Grátis

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