Serra Leoa teme repercussão de <i>Diamante de Sangue</i>

O filme O Diamante de Sangue, com Leonardo DiCaprio e sobre o contrabando de pedras na África, pode prejudicar a recuperação de Serra Leoa, pois o país tenta dar legitimidade a suas exportações de diamantes, disseram autoridades do país.O filme, que está cotado ao Oscar e que já arrecadou mais de 18 milhões de dólares nos Estados Unidos, conta a história de um ex-mercenário envolvido no tráfico de diamantes na ex-colônia britânica, em meio à guerra civil (1991-2002), alimentada pelo comércio ilícito das pedras e notória pelas mutilações executadas pelos rebeldes da RUF (Frente Revolucionária Unida)."Temo que o filme seja prejudicial à indústria de Serra Leoa", disse Mohamed Swaray Deen, ministro de Recursos Minerais. "As pessoas precisam saber que o país já está muito longe das cenas que aparecem no filme. Mas o consumidor pode ser afetado."Serra Leoa tem a mais alta taxa de mortalidade infantil do mundo. Hoje, as contribuições humanitárias compõem quase metade do orçamento do governo, grande parte vindas da Grã-Bretanha.A guerra de Serra Leoa acabou ajudando a ONU a lançar o Processo de Kimberly, para garantir que os diamantes não sejam vendidos no mercado negro para compra de armas.A certificação impulsionou a indústria leonesa: as exportações passaram de 10 milhões de dólares em 2000 para 141 milhões de dólares no ano passado. O governo fica com 3 por cento da receita das exportações.Críticas "Houve muito desenvolvimento desde a guerra, e o filme precisa incluir isso", disse o ministro. Outras autoridades manifestaram sua decepção com o fato de os produtores do filme, orçado em 100 milhões de dólares, terem preferido rodá-lo no Moçambique e na África do Sul."Queria que pelo menos ele tivesse sido filmado aqui", disse Cecil Williams, da Diretoria Nacional de Turismo. "Também poderia ter mostrado a beleza de Serra Leoa. Temos uma paisagem singular, e a presença de uma grande equipe de filmagem teria trazido benefícios econômicos."Serra Leoa possui praias selvagens e animais raros, como chimpanzés e hipopótamos pigmeus. Antes da guerra, a indústria do turismo estava em alta, e em 1990 cerca de 100 mil pessoas visitaram o país. Mas o número caiu muito desde então.No início de 2006, as tropas da ONU foram retiradas, e um tribunal especial da entidade está julgando os acusados pelas piores atrocidades.Há eleições presidenciais marcadas para julho. "A percepção é uma coisa muito poderosa. Ao ver o filme, a pessoa imagina que ainda há guerra aqui", disse Williams. "Serra Leoa é hoje um país seguro, mas se tornou sinônimo de guerra."

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