EFE/ Marvel Studios
EFE/ Marvel Studios

Série 'Loki' marca a volta do Deus da Trapaça, pela Disney+

Vilão em 'Thor' e 'os Vingadores' está em seis episódios semanais

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão 

08 de junho de 2021 | 07h39

Em dez anos de Universo Cinematográfico Marvel, Loki, interpretado por Tom Hiddleston, apareceu por um total de duas horas, mais ou menos. Ainda assim, tornou-se um dos personagens mais queridos do público, que pode ficar sossegado: o Deus da Trapaça está de volta na série Loki, que estreia na quarta-feira, 9, no Disney+, com seis episódios semanais. “Eu sempre me surpreendo com os fãs”, disse Hiddleston em entrevista coletiva por videoconferência, na segunda-feira (7). “A razão pela qual pude continuar a interpretá-lo é que ele significa tanto para tantas pessoas, por razões muito diferentes. E isso é muito gratificante para mim. É uma grande honra.” 

Para o ator, o sucesso de Loki, que foi um traidor em Thor (2011), um vilão em Os Vingadores (2012), um anti-herói em Thor: O Mundo Sombrio (2013) e Thor: Ragnarok (2017) e uma espécie de mártir em Vingadores: Guerra Infinita (2018), são justamente suas múltiplas facetas. “Algumas pessoas gostam porque ele é brincalhão, espontâneo e um tanto travesso. Outros acham que é um bom antagonista. E claro tem os que não suportam”, disse Hiddleston. “Mas eu acho que muitos são atraídos por sua vulnerabilidade. Por baixo de todas aquelas camadas de charme e carisma há uma vulnerabilidade que faz com que se identifiquem com ele.”

Mas, por falar em Guerra Infinita, Loki não tentou salvar o irmão Thor e acabou morto por Thanos por tê-lo traído no filme de 2018? Sim. Por isso, o próprio Tom Hiddleston foi surpreendido ao ser informado da ideia da série. “Foi um misto de deleite e surpresa. Fiquei empolgado, mas ao mesmo tempo coçando a cabeça porque aquela cena em Guerra Infinita pareceu bem conclusiva para mim”, disse o ator. E isso não vai mudar, tecnicamente. Porque o Loki que encontramos é aquele de 2012, que em Vingadores: Ultimato escapou com o Tesseract. O chefão dos estúdios Marvel, Kevin Feige, contou sua coisa favorita de ouvir depois da estreia de Vingadores: Ultimato. “As pessoas diziam que não tínhamos atado todas as pontas soltas de Loki, que ele simplesmente desaparecia, que tínhamos nos esquecido de contar o que acontecia com ele.” 

Pois é chegada a hora. Loki, a série, começa logo depois de Loki, o personagem, roubar o Tesseract. “Para onde ele vai? Para quando ele vai? Há tantas possibilidades”, afirmou Hiddleston. “Acho que encontramos soluções divertidas que vão ser exploradas nesta série.” Imediatamente, ele é capturado pela TVA, a Time Variance Authority - ou Autoridade de Variância do Tempo, em português. Essa organização burocrática é a responsável por garantir que o passado, o presente e o futuro sigam o que foi predeterminado. Qualquer um que altere o curso da história - ou seja, que mude a linha do tempo - é levado a julgamento. 

Assista ao trailer:

Ao roubar o Tesseract, Loki comete esse crime e cria Variantes. Levado para a sede da TVA, que é ao mesmo tempo futurista e retrô, ele tenta enganar todo o mundo, como sempre. Mas, mesmo assim, o agente Mobius (Owen Wilson) enxerga em Loki a chance de capturar a Variante Loki. A colaboração, aprovada pela juíza Ravonna Renslayer (Gugu Mbatha-Raw), causa desespero em B-15 (Wunmi Mosaku, de Lovecraft Country), que tem visto membros de seu time de caçadores serem aniquilados por essa perigosa Variante, que precisa ser eliminada. 

Para os novatos da turma, entrar para o Universo Cinematográfico Marvel foi divertido. Hiddleston colocou Owen Wilson e os chefes de departamento numa espécie de Escola do Loki, falando sobre o personagem e suas mudanças ao longo dos dez anos. Tanto Mosaku quanto Mbatha-Raw sentiram-se mais tranquilas por terem sido colegas de formação teatral de Tom Hiddleston na Royal Academy of Dramatic Arts (RADA), em Londres. “Foi bom ter amigos para aliviar a pressão”, disse Mosaku.

Enquanto WandaVision era um drama sobre luto disfarçado de sitcom, e Falcão e o Soldado Invernal era uma exploração do racismo travestido de filme de espião, Loki é uma investigação da identidade em forma de thriller criminal com viagem no tempo. Não à toa, a inspiração tanto para o criador Michael Waldron (roteirista de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, que estreia em março) quanto para a diretora Kate Herron (Sex Education), a grande inspiração foi o David Fincher de Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) de Zodíaco (2007) - além, claro, de O Silêncio dos Inocentes (1991), de Jonathan Demme. 

A diferença para Loki em relação aos longas é que desta vez ele está completamente sozinho, sem nada de familiar por perto. Nem Thor, nem Vingadores, nem seus poderes. “E se tiramos essas coisas com que Loki se identificou nos últimos seis filmes, o que sobra? Quem é Loki, dentro e fora desses parâmetros?”, perguntou Hiddleston. “É muito fascinante questionar se há algo autêntico em seu interior, se ele é capaz de crescimento, de mudança, se as experiências na TVA vão causar algum efeito.”

É, portanto, uma série que discute se Loki pode realmente se transformar e ser uma boa pessoa. Ou se, como Hannibal Lecter, o Assassino do Zodíaco e o serial killer dos sete pecados capitais, ele está além da salvação. Para Tom Hiddleston, é mais uma chance de apresentar novas caras de um personagem que adora. “Eu amo interpretar Loki. Sempre amei. E me sinto muito sortudo de ainda estar aqui.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.