Seriado de sucesso, "Os Gatões" vira filme

Atacado recentemente pelo furacão Katrina e considerado atrasado e reacionário, o sul dos Estados Unidos já foi tema de um seriado de sucesso nos anos 1980. Os Gatões girava em torno de dois primos que usavam o General Lee, um Dodge Dart envenenado com a bandeira confederada pintada no teto, para distribuir o uísque ilegal do tio e fugir da corrupta polícia que patrulhava a região. Era um bem humorado elogio ao anarquismo como resposta à fraqueza moral e ética das autoridades. Na refilmagem que estréia hoje nos cinemas, Os Gatões - Uma Nova Balada, essa configuração se mantém, embora a idéia da força da juventude subvertendo os vícios da velha guarda não fique tão clara assim. Sean William Scott, da geração American Pie, faz o papel de Bo, enquanto Johnny Knoxville, conhecido como um dos criadores do Jackass, da MTV, interpreta Luke. Jessica Simpson, da geração de cantoras fabricadas depois de Britney Spears, é a deliciosa prima Daisy. Willie Nelson faz uma participação especial como o tio Jesse. E Burt Reynolds ressurge no papel do chefe Hogg, um figurão local que controla as autoridades. Um elenco que se destaca individualmente, mas que reunido não produz mais do que algumas boas situações cômicas. Jay Chandrasekhar, comediante do grupo Broken Lizard e diretor do filme, atualiza o velho seriado e sincroniza esses personagens anacrônicos com as idiossincrasias deste início de século. A cena em que Bo e Luke chegam a uma metrópole, quando a bandeira confederada produz reações nos passageiros dos outros carros, é um (bom) exemplo de como recicla o material. A tristeza é que se trata de um dos (poucos) exemplos isolados.

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